CPI do INSS vai analisar pedido de investigação sobre os voos de jatos de Vorcaro para o exterior
CPI do INSS investiga voos internacionais de jatos de Vorcaro
A comissão do INSS irá investigar os voos dos jatos de Daniel Vorcaro para o exterior. O pedido de investigação se baseia em um levantamento publicado por O TEMPO, que detalha as viagens realizadas pelos três aviões executivos registrados em nome de uma empresa do banqueiro.
Parlamentares da comissão planejam apresentar requerimentos para apurar quem estava a bordo das aeronaves. O deputado federal Rogério Corrêa (PT-MG) foi um dos que anunciou essa iniciativa. Em sua conta no X, ele afirmou: “Vou apresentar requerimento na CPMI para ver quem acompanhou Vorcaro nas viagens, especialmente nos paraísos fiscais”.
Recentemente, O TEMPO divulgou que os três jatos em nome de Vorcaro realizaram 268 voos internacionais e 261 voos nacionais nos últimos dois anos. Os dados foram obtidos por meio do cruzamento de informações da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e do site ADS-B Exchange.
Além disso, uma das reportagens revelou que esses aviões fizeram ao menos 28 pousos ou decolagens em locais como Mônaco, Dubai (Emirados Árabes Unidos) e Genebra e Zurique, na Suíça, considerados paraísos fiscais.
Vorcaro, que é dono do Banco Master, está no centro do maior escândalo financeiro do Brasil. Um grupo de congressistas já discute a possibilidade de uma viagem oficial a Dubai para coletar documentos e informações relevantes para as investigações sobre irregularidades financeiras ligadas ao caso Master e aos desvios de aposentadorias e pensões do INSS.
Os principais aeroportos de onde partiram os voos internacionais dos jatos de Vorcaro foram Confins (MG) e Guarulhos (SP). Essas cidades abrigam as sede do Banco Master e do conglomerado de Vorcaro, que nasceu e cresceu em Belo Horizonte.
Todos os três jatos estão registrados em nome da Viking Participações, uma holding de Belo Horizonte da qual Vorcaro é o único proprietário. Nenhum dos jatos está financiado, indicando que foram adquiridos à vista.
De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro estava prestes a embarcar em um de seus jatos, um modelo Falcon 7X, quando foi preso no aeroporto de Guarulhos em 17 de novembro de 2025. A polícia suspeita que ele tentava fugir para Malta.
No dia seguinte, a PF iniciou a Operação Compliance Zero para investigar crimes relacionados à venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). Na operação, foram presas sete pessoas e apreendidos bens de alto valor, incluindo joias e carros de luxo.
O Falcon 7X, fabricado em 2010 pela Dassault, está avaliado em R$ 200 milhões e pode realizar voos transatlânticos sem escalas. Ele é um modelo de alta performance, utilizado por algumas forças aéreas e chefes de Estado.
Os advogados de Vorcaro negam as acusações de tentativa de fuga, afirmando que ele tinha negócios a tratar em Dubai. Horas antes de sua prisão, foi anunciada a compra do Banco Master por um consórcio liderado pelo grupo de investimentos Fictor Holding Financeira.
No início de fevereiro, o Grupo Fictor solicitou recuperação judicial para suas empresas. A Polícia Federal também abriu um inquérito contra o grupo.
Os outros dois jatos atribuídos a Vorcaro são um Falcon 2000 e um Gulfstream GV-SP. O primeiro é avaliado entre R$ 23,8 milhões e R$ 46,11 milhões, enquanto o segundo pode transportar até 21 passageiros e tem autonomia para voos de longa distância. Vorcaro adquiriu o Gulfstream em 27 de junho de 2023 por R$ 120 milhões.
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