CPI do Crime Organizado cancela sessão por ausência de Campos Neto e de fundador da Reag
Cancelamento da Sessão da CPI do Crime Organizado
Carlos Andreazza comenta sobre a CPI do Crime Organizado que convidou o ministro do STF, Dias Toffoli.
BRASÍLIA – A CPI do Crime Organizado não realizou a sessão programada para esta terça-feira, 3, devido à ausência dos convocados. Estavam agendados para depor o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Falbo Mansur.
No dia anterior, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, tornou opcional a presença de Campos Neto. Já Falbo Mansur havia conseguido uma decisão do ministro Flávio Dino que permitia seu silêncio, mas ainda assim precisava comparecer à comissão.
A CPI foi criada em novembro do ano passado após uma operação policial que resultou em mais de 100 mortos no Rio de Janeiro. Atualmente, a comissão concentra seus esforços em investigar como o crime organizado utiliza o sistema financeiro e o mercado legal.
O depoimento de Campos Neto era considerado essencial para abordar questões regulatórias que, segundo alguns parlamentares, poderiam ter facilitado fraudes envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, além do uso de fintechs e fundos de investimento por facções criminosas.
O banqueiro enfrenta acusações de ter utilizado sua instituição financeira para fraudar R$ 12 bilhões na emissão de títulos falsos no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Outra investigação, chamada Carbono Oculto, aponta que gestoras ligadas a executivos do banco estavam custodiando ativos do crime organizado.
Na última sessão, realizada na semana passada, a CPI aprovou a quebra de sigilo da Maridt Participações, que tem Dias Toffoli como sócio anônimo, além de requerimentos para convocar Toffoli, o ministro Alexandre de Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes.
Entretanto, essa medida foi anulada pelo ministro Gilmar Mendes, que identificou desvio de finalidade na investigação da comissão. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), planeja recorrer da decisão.
A Maridt, que está registrada em nome de José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, recebeu R$ 20 milhões de um fundo cujo único cotista era Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, conforme revelou o Estadão.
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