Crimes digitais

CPI convoca Meta para explicar lucros com crimes digitais

Senadores questionam a empresa sobre ganhos com golpes e conteúdo ilegal nas plataformas

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado convocou, nesta terça-feira (24), a empresa Meta, responsável pelo WhatsApp, Facebook e Instagram, para esclarecer os lucros que a multinacional dos Estados Unidos teria obtido com a ocorrência de crimes nas suas plataformas digitais.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou que os lucros oriundos de anúncios relacionados a golpes e fraudes na internet geram bilhões de dólares, um montante que poderia incentivar a manutenção desses conteúdos nas redes.

“Ao que parece, a Meta tem dificultado a atuação das autoridades, pois, ao criptografar conteúdos, mesmo com alertas internos de que isso poderia favorecer o crime, a empresa optou por essa prática”, afirmou o relator.

Além disso, Vieira questionou se a Meta tem condições de identificar e barrar a divulgação de imagens de abuso sexual de crianças e adolescentes nas redes sociais, mencionando estudos que indicam o uso das plataformas para aliciar jovens.

“Um relatório de 2020 da Human Trafficking Institute apontou que o Facebook foi a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais, sendo responsável por 65% dos casos de aliciamento de crianças”, ressaltou o senador.

A diretora da Meta, Yara Alves, não conseguiu responder com clareza se a empresa consegue identificar conteúdos de pornografia infantil para evitar sua disseminação.

“Não sei se nossas ferramentas de detecção proativa, utilizando metadados, são suficientes para impedir o compartilhamento de fotos, mas coloco a equipe da Meta à disposição desta Comissão”, disse.

Por outro lado, a dirigente enfatizou que combater a exploração sexual de crianças e adolescentes é uma prioridade para a multinacional, que implementou medidas para o controle das contas de adolescentes pelos pais.

“O tema de crianças e adolescentes é de alta prioridade na Meta, com diversas equipes dedicadas nas áreas de produto, compliance, jurídico e operações”, declarou.

A diretora também não soube responder a perguntas específicas dos senadores sobre limites da criptografia e o uso de algoritmos nas redes sociais em relação a conteúdos políticos.

A falta de clareza em algumas questões fez com que o relator solicitasse a convocação novamente do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister.

“A empresa alegou que a senhora teria condições de atender a CPI. Vamos entender que foi um erro de avaliação e reiterar a convocação do diretor-geral”, concluiu o relator.

Com informações da Agência Brasil – Política, Lucas Pordeus León/Agência Brasil.


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