CPI cancela sessão que ouviria Campos Neto e fundador da Reag, envolvida no caso Master e PCC
CPI cancela sessão que ouviria Campos Neto e fundador da Reag
Atualizado em 03/03/2026 às 10:05
A sessão da CPI do Crime Organizado, agendada para esta terça-feira, foi cancelada após decisões judiciais que permitiram aos convocados se ausentarem ou permanecerem em silêncio. Estavam previstas as oitivas do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do fundador da liquidada corretora Reag, João Carlos Mansur, ambos suspeitos de ligação com o Banco Master e o PCC.
No caso de Campos Neto, uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou sua presença facultativa. Por sua vez, Mansur recebeu autorização de Flávio Dino para não se manifestar.
O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), explicou que a defesa de Mansur foi notificada apenas no último domingo (1º), desrespeitando o prazo mínimo de 48 horas.
"Devido à exiguidade do tempo, decidimos remarcar para a próxima semana, sem condução coercitiva. A decisão de Dino não isenta a obrigação de comparecimento", informou Contarato aos jornalistas.
Já a decisão de Mendonça concedeu a Campos Neto o direito de permanecer em silêncio em perguntas que pudessem representar risco de autoincriminação, cabendo a ele avaliar, junto à sua defesa, quais questionamentos poderiam ser arriscados.
O ex-presidente do Banco Central foi convocado para esclarecer possíveis falhas na fiscalização bancária que teriam favorecido a expansão de organizações criminosas e fraudes relacionadas ao Banco Master. Investigações apontam que, durante sua gestão, o banco, pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro, teria iniciado supostas fraudes financeiras que culminaram na Operação Compliance Zero no ano anterior.
Entre as fraudes investigadas está a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília (BRB). O Banco Master também é alvo da CPMI do INSS por suspeitas de irregularidades na concessão de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas.
A corretora Reag é investigada por suas conexões com fundos do Banco Master e foi mencionada nas apurações da Operação Carbono Oculto, que desmantelou um grande esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro do PCC em São Paulo.
A Reag é uma das várias corretoras que teriam recebido dinheiro da facção criminosa, com Mansur supostamente envolvido em "dinâmicas fraudulentas" e "ocultação de valores sem origem", conforme o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A promotoria ainda aponta que diversos fundos da corretora eram utilizados para a aquisição e ocultação de bens, como imóveis e veículos. A Reag foi liquidada pelo Banco Central em janeiro, em decorrência das investigações sobre as irregularidades do Banco Master.
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