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Cotação do arroz equivale a metade do esperado pelo produtor no RS

Conflito nas negociações do arroz no Rio Grande do Sul

As negociações do arroz continuam em impasse entre produtores e indústrias. Enquanto os agricultores buscam preços em torno de R$ 80,00 por saca de 50kg, a maioria das transações ocorre a R$ 55,26, valor estimado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Essa discrepância reflete o desacordo entre vendedores e compradores da cultura. Os produtores tentam negociar preços que cubram seus custos de produção, mas a indústria oferece valores abaixo do esperado devido ao excesso de estoques globais e à possibilidade de importações de países com preços mais competitivos, como o Paraguai.

De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção brasileira de arroz para a safra 2025/26 é estimada em cerca de 11 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 14% em relação à safra anterior, além de uma redução de 11% na área cultivada.

O Rio Grande do Sul, principal produtor de arroz do Brasil, diminuiu sua área plantada nesta safra para evitar uma oferta excessiva em um cenário de custos elevados. O IRGA (Instituto Rio Grandense do Arroz) informa que a redução da área plantada chega a 8,06%, abrangendo 891,9 mil hectares.

Denis Nunes, presidente da Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul), ressalta que a oferta global é um dos principais obstáculos nas negociações. Ele menciona a busca por vendas através de programas de escoamento da produção e a importância do apoio governamental.

“Estamos trabalhando no negativo, pois o produtor não consegue cobrir seus custos com a cotação atual. É necessário reverter esse prejuízo para que possamos ter resultados positivos ou, pelo menos, diminuir as perdas nesta safra”, concluiu.

A federação prevê uma continuidade na redução da área cultivada para controlar estoques e preços. Além das iniciativas no mercado interno, o setor busca aumentar as exportações, que ainda são insuficientes diante da alta produção de países como Mercosul e Índia, que retoma a produção em larga escala.

Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontam que a produção global de arroz deve atingir 541,16 milhões de toneladas, com exportações globais estimadas em 62,8 milhões de toneladas de arroz beneficiado, um aumento de 5,2% em relação ao ciclo anterior.

Alexandre Velho, presidente do IRGA, enfatiza a necessidade de equilíbrio no setor. “A tendência é ajustar a oferta com a diminuição da área plantada e da produtividade. Essa proteção é essencial para garantir a viabilidade econômica do cultivo. A cotação atual da saca é quase metade do que esperávamos para cobrir os custos de produção, e esse cenário precisa mudar”, afirmou.

Os desafios enfrentados pelos produtores incluem a proteção da cadeia nacional em relação à competitividade global, a redução de tarifas, estímulos à exportação e a diminuição da área plantada para controle de preços, fatores que têm travado as negociações do cereal.

O alto endividamento e os juros elevados também geram discussões sobre a prorrogação de débitos com instituições financeiras, que enfrentam um cenário de margens estreitas entre receitas reduzidas e custos altos de produção agrícola.


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