Coronel pede afastamento após morte suspeita de esposa PM em SP
Coronel solicita afastamento após morte suspeita da esposa PM em SP
O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, pediu afastamento de suas funções após a morte de sua esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 29 anos. Gisele foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, região central da capital paulista, no dia 18 de fevereiro.
A informação foi confirmada por meio de uma nota da Secretaria de Segurança Pública enviada à CNN Brasil nesta terça-feira, 3 de outubro: "A Polícia Militar informa que o tenente-coronel encontra-se afastado de suas funções, a pedido".
Inicialmente, o caso era tratado como suicídio, mas investigações subsequentes levantaram suspeitas de um possível relacionamento abusivo entre Gisele e Geraldo, resultando na reclassificação do caso como "morte suspeita".
A mãe da vítima relatou à polícia que o oficial impunha restrições à esposa, como proibições de uso de batom, salto alto e perfume, além de exigir o cumprimento de diversas tarefas domésticas.
A Polícia Civil realizou uma reconstituição da morte na residência do casal na segunda-feira, 2 de outubro, e continua as investigações, aguardando os laudos periciais.
Em seu depoimento, o tenente-coronel disse que decidiu se separar e comunicou a decisão à esposa na manhã do dia 18. Ele afirmou que a reação de Gisele foi exaltada, pedindo que ele deixasse o quarto.
Após tomar banho, ele alegou ter ouvido um disparo e, ao sair do banheiro, encontrou Gisele caída no chão, com uma lesão na cabeça e segurando uma arma.
Ele acionou o resgate e a Polícia Militar, além de ter telefonado para um amigo.
O boletim de ocorrência registrou que os policiais foram informados de que a mulher havia disparado contra a própria cabeça. Gisele foi socorrida por uma equipe da Unidade de Suporte Avançado e transportada pelo helicóptero Águia ao Hospital das Clínicas, onde foi constatado o óbito.
Após o incidente, o tenente-coronel pediu autorização para retornar ao apartamento e tomar banho. O pedido foi negado inicialmente, mas depois autorizado. Ele justificou sua necessidade de se preparar para um possível afastamento.
O oficial relatou que, no dia 13 de fevereiro, encontrou Gisele trancada no quarto com a filha e que ela manifestou a intenção de se separar. No dia seguinte, Gisele saiu com a criança, enquanto ele viajava para São José dos Campos, retornando à capital no mesmo dia, onde as discussões continuaram.
No dia 16, ele participou das operações de Carnaval, enquanto Gisele levou a filha ao Parque da Mônica. Uma nova discussão por ciúmes ocorreu à noite.
No dia 17, o tenente-coronel foi à academia do prédio e confrontou Gisele, gerando mais desentendimentos. Após uma conversa de duas horas sobre o relacionamento, o casal foi dormir.
Em depoimento, o oficial revelou que conheceu Gisele em 2021 e iniciaram o relacionamento em 2023, oficializando o casamento em 2024. Ele mencionou que já assumiu as despesas da casa e a educação da filha de Gisele, que atualmente tem 7 anos.
Geraldo também relatou que, após sua transferência para o 49º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, o relacionamento começou a enfrentar conflitos, exacerbados por denúncias anônimas à Corregedoria da PM sobre um suposto caso extraconjugal e mensagens de perfis falsos que indicavam traições.
Esses episódios aumentaram as discussões entre o casal, levando-os a dormir em quartos separados desde agosto.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo*
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