Caixa Econômica Federal

Conselho de administração da Caixa Econômica avalia riscos de incorporar BRB, diz jornal

Conselho da Caixa Econômica analisa riscos da incorporação do BRB

A possível compra do Banco Regional de Brasília (BRB) pela Caixa Econômica Federal envolve diversas complexidades, especialmente em um ano eleitoral.

O conselho da instituição financeira se reunirá na próxima segunda-feira, 23, para debater os riscos associados à incorporação do BRB, que enfrenta sérias dificuldades financeiras, incluindo passivos bilionários e perdas relacionadas ao Master. A operação pode ser avaliada em até R$20 bilhões, levantando preocupações sobre os impactos para a Caixa e o uso de recursos públicos.

Segundo informações do jornal Valor Econômico, estima-se que o BRB tenha que provisionar entre R$4,7 bilhões a R$5 bilhões devido às perdas do Master. Após a crise, o banco enfrentou uma corrida aos saques de seus clientes, o que o levou a vender ativos, totalizando cerca de R$5 bilhões.

Entretanto, o BRB ainda não resolveu todos os seus problemas financeiros, com um passivo que pode chegar a R$15 bilhões, além dos R$5 bilhões herdados do Master. Essa situação gerou uma crise de liquidez, e o banco chegou a solicitar um empréstimo ao Fundo Garantidor de Crédito, que foi negado.

Diante desse panorama, a possibilidade de a Caixa absorver o passivo do BRB surge como uma alternativa. A Caixa possui R$10 bilhões em caixa, mas precisaria de mais R$10 bilhões se o passivo total do BRB for confirmado em R$20 bilhões.

Um dos fatores que pode impulsionar essa compra é o fato de que a Caixa não tem capital aberto e não capta recursos no exterior, diferentemente do Banco do Brasil. Como o capital é integralmente da União, a credibilidade da Caixa está atrelada à do Tesouro Nacional, o que significa que parte do rombo poderia ser coberta com dinheiro público. Os presidentes da Caixa e do BRB, Carlos Vieira e Nelson de Souza, respectivamente, se encontrarão na próxima terça-feira, 24.

Contudo, essa aquisição pode comprometer a reestruturação que a Caixa vem realizando nos últimos anos, já que a instituição ainda não está completamente saudável para uma operação dessa magnitude. Além disso, o cenário eleitoral é um fator crucial, pois o BRB é gerido pelo governo do Distrito Federal, que é liderado por Ibaneis Rocha (MDB-DF). Uma compra por parte do governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ter implicações nas dinâmicas eleitorais.


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