Conitec rejeita inclusão de Wegovy e Saxenda para obesidade no SUS
Conitec nega inclusão de Wegovy e Saxenda no SUS
Em uma decisão divulgada na quarta-feira, 20 de setembro, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) rejeitou a inclusão dos medicamentos semaglutida (Wegovy) e liraglutida (Saxenda), ambos da farmacêutica Novo Nordisk, no SUS (Sistema Único de Saúde).
A semaglutida, na dosagem de 2,4 mg semanal, foi proposta para tratar pacientes com obesidade grau 2 e 3, sem diabetes, com idade mínima de 45 anos e que apresentem doenças cardiovasculares já diagnosticadas. Por sua vez, a liraglutida, com dosagem de 3 mg diária, foi avaliada para pacientes que sofrem de obesidade e diabetes tipo 2.
Embora a semaglutida tenha sido reconhecida como uma tecnologia inovadora, a decisão foi fundamentada em restrições orçamentárias e fiscais, conforme informações da farmacêutica. Relatórios do Ministério da Saúde indicam que o custo anual estimado por paciente seria de R$ 9.885,60 para a liraglutida e R$ 17.584,80 para a semaglutida.
O Ministério da Saúde ressaltou que as decisões da Conitec levam em conta as melhores evidências científicas disponíveis, considerando eficácia, segurança e análises de custo-efetividade. No caso em questão, o impacto financeiro estimado poderia alcançar R$ 8 bilhões por ano.
A Novo Nordisk apontou que o parecer negativo é consequência do "histórico subfinanciamento do SUS", agravado por um "contexto de desequilíbrio fiscal" e limitações orçamentárias. A empresa expressou compreensão sobre esses desafios que dificultam a oferta de tecnologias inovadoras, mesmo quando estas são claramente custo-efetivas, reafirmando seu compromisso em ser uma parceira no combate à obesidade no Brasil.
Durante um congresso de diabetes em Chicago, Martin Holst Lange, vice-presidente executivo da Novo Nordisk, enfatizou a necessidade de uma abordagem multifocal para a obesidade, considerando as diferentes necessidades dos pacientes. "O foco do tratamento não deve ser apenas a perda de peso, mas sim a redução de complicações graves", destacou, mencionando que a semaglutida pode reduzir em 20% o risco de eventos cardiovasculares.
Com a decisão, os medicamentos permanecem fora do escopo do SUS, limitando o acesso a pacientes que podem arcar com os custos no setor privado.
Por outro lado, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) anunciou um acordo recente com a farmacêutica EMS para a produção nacional de liraglutida e semaglutida. A EMS já comercializa as canetas Olire (para obesidade) e Lirux (para diabetes) no Brasil, e essa produção nacional pode contribuir para a redução dos custos.
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