Condenados como mandantes da morte de Marielle, irmãos Brazão já se envolveram em outro assassinato; Justiça viu legítima defesa
Irmãos Brazão, condenados pela morte de Marielle, têm histórico de homicídio
Em março de 1987, Domingos Brazão atirou e matou Luiz Cláudio Xavier dos Reis, que suspeitava que um dos irmãos tivesse um relacionamento com sua ex-mulher.
Os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. No entanto, já estão envolvidos em outro homicídio que remonta a 38 anos.
No dia 8 de março de 1987, Domingos e Chiquinho estavam juntos em um Fusca quando Domingos disparou duas vezes um revólver calibre .38, resultando na morte de Luiz Cláudio e ferindo Jairo Neves dos Santos. A motivação para o crime foi a suspeita de Luiz Cláudio sobre um caso entre sua ex-mulher e Domingos.
Na época do assassinato, os irmãos eram comerciantes de carros usados e não tinham ligação com a política. Domingos foi preso em 8 de dezembro de 1987, nove meses após o crime, e passou as festas de fim de ano na prisão. Ele foi liberado em 14 de janeiro de 1988.
O caso deveria ter sido julgado pelo júri popular, mas ficou paralisado desde 22 de dezembro de 1992, por decisão de um juiz. O Tribunal de Justiça do Rio posteriormente considerou essa manobra como esdrúxula. O desembargador Paulo Roberto Leite Ventura criticou a situação, afirmando que o réu não foi julgado devido a um tratamento inadequado do processo.
O julgamento finalmente ocorreu em 2003. Domingos, já deputado estadual, teve foro privilegiado e foi absolvido por legítima defesa, embora o desembargador Raul Quental tenha votado pela condenação.
Durante o processo, o Ministério Público recebeu uma denúncia anônima alegando que Domingos era dono de uma grande favela e que a família Brazão impunha medo na comunidade. No entanto, essa denúncia foi desqualificada pelo desembargador Ventura, que ressaltou que condenações não podem se basear apenas em informações anônimas.
De acordo com o processo, Luiz Cláudio, movido por ciúmes, cercou Domingos. O desfecho envolveu uma briga em que Domingos alegou legítima defesa, embora existam divergências sobre a dinâmica do confronto. Enquanto a maioria dos desembargadores aceita a versão de Domingos, Quental questiona a lógica do relato e sugere que a vítima foi atingida pelas costas.
Décadas se passaram, e os irmãos Brazão estão novamente envolvidos em um caso de homicídio, levantando questões sobre a continuidade de práticas criminosas no Rio de Janeiro.
← Voltar para as notícias