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Como uma ponte estaiada viajou de avião do Brasil para a Angola

Transporte Aéreo Inédito de uma Ponte Estaiada do Brasil para Angola

Uma operação ousada e inusitada levou uma ponte estaiada de São Paulo a Luanda, capital de Angola, em um tempo recorde de apenas seis dias. Essa estrutura, que fará parte de um novo Centro de Convenções orçado em US$ 316,8 milhões, representa um marco para a engenharia brasileira.

Luanda está prestes a receber um complexo impressionante na região de Chicala, que incluirá um teatro com capacidade para três mil pessoas. A ponte estaiada, similar à Ponte Octávio Frias de Oliveira, será fundamental para conectar o centro ao novo trecho da Marginal de Luanda, mas o grande desafio foi sua origem no Brasil.

Transportar uma ponte é sempre um desafio logístico, especialmente considerando o tamanho e o peso das peças. Para essa missão, a DHL Global Forwarding foi encarregada de transportar 48 toneladas de componentes, com alguns trechos excedendo seis metros de comprimento, em um tempo recorde.

André Maluf, diretor de Frete Aéreo na DHL, destacou a integração de uma equipe de 20 profissionais que uniu expertise em engenharia à logística de forma contínua. Essa colaboração foi crucial para o sucesso da operação.

A ponte foi fabricada pela empresa brasileira Protende ABS e seu transporte aéreo foi uma alternativa rápida em comparação ao transporte marítimo, que levaria aproximadamente 70 dias. No entanto, o transporte aéreo trouxe seu próprio conjunto de desafios, já que as aeronaves têm limitações de peso e volume.

Para acomodar as peças, foi necessário alugar um Boeing 747F, uma aeronave projetada para cargas maiores. Essa operação foi uma das primeiras do tipo no Brasil e destacou a capacidade do país em exportar sistemas de engenharia pesada de forma inovadora.

Os componentes da ponte precisavam de cuidados especiais para evitar danos durante o voo. Com a chegada tardia das estruturas de proteção, a DHL desenvolveu soluções sob medida no próprio aeroporto, criando embalagens personalizadas para garantir a segurança das peças.

Entre os itens transportados estavam tubos antivandalismo, essenciais para a proteção dos cabos de sustentação. André Maluf explicou que um sistema de ancoragem foi criado para garantir a segurança no transporte, convertendo componentes industriais em unidades de carga adequadas para o transporte aéreo.

Esse feito logístico demonstra não apenas a capacidade de adaptação e inovação do Brasil, mas também posiciona o país como um líder na exportação e logística de infraestrutura pesada. A operação desafiou as normas tradicionais, mostrando que é possível superar barreiras logísticas para atender a prazos críticos.


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