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Como Rússia e China, aliados do Irã, se movimentam e calculam perdas e ganhos no atual conflito?

Movimentações de Rússia e China no Conflito com o Irã

Crédito, Anadolu via Getty Images

Autor, Equipe de Jornalismo Global, do Serviço Mundial da BBC

Com o Reino Unido autorizando os Estados Unidos a utilizarem suas bases aéreas para ataques "defensivos" contra o Irã, a atenção se voltou para o suporte que o país poderia receber de seus aliados supostos.

Rússia e China possuem laços diplomáticos, comerciais e militares com a República Islâmica do Irã, mas a atual situação deixa em evidência até que ponto esses países estão dispostos a oferecer apoio.

Apoio Ruidoso mas Limitado da Rússia

Crédito, SPUTNIK/KREMLIN POOL/EPA/Shutterstock

A resposta da Rússia aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã foi barulhenta, mas contida, expressando indignação e solidariedade ao mesmo tempo em que evitou ações que a colocassem diretamente no conflito, conforme analisou Sergei Goryashko, da BBC News Rússia.

O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, manifestou "profunda decepção" pela escalada da situação, que, segundo ele, ocorreu mesmo com negociações em andamento entre EUA e Irã.

Peskov destacou que a Rússia mantém contato contínuo com a liderança iraniana e com países do Golfo afetados pela escalada.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou o que chamou de "agressão não provocada" dos EUA e de Israel e criticou o que considera assassinatos políticos e "caça" a líderes de estados soberanos.

No domingo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou condolências ao presidente iraniano Masoud Pezeshkian pela morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, descrevendo a situação como uma "violação cínica da moralidade humana e do direito internacional".

Entretanto, a Rússia evitou críticas diretas ao presidente dos EUA, Donald Trump, e continua a valorizar os esforços de mediação americana em relação à Ucrânia.

Questionado sobre a confiança da Rússia nos EUA, Peskov respondeu que o país "confia, antes de mais nada, em si mesmo" e defende seus próprios interesses.

Esse posicionamento explica por que o apoio da Rússia ao Irã é, em grande parte, retórico. O Irã se tornou um dos aliados mais próximos da Rússia desde a invasão da Ucrânia, fornecendo drones e ajudando a desenvolver estratégias para driblar sanções ocidentais.

Embora a Rússia veja o Irã como parte de uma ordem multipolar, onde os direitos dos Estados são prioritários, ela tem se mostrado relutante em assumir riscos excessivos por seus parceiros em situações como as da Venezuela e da Síria.

O tratado de parceria estratégica assinado em 17/1/25 entre Rússia e Irã não estabelece uma defesa mútua, mas compromete ambos a compartilhar informações e realizar exercícios conjuntos.

Apoio Econômico Chinês ao Irã

Crédito, IRANIAN FOREIGN MINISTRY HANDOUT/EPA/Shutterstock

A China condenou veementemente a morte de Khamenei e se opõe à estratégia dos EUA de promover mudanças de regime em diversas partes do mundo.

No cerne da relação entre China e Irã está uma parceria econômica vantajosa, com a China sendo o maior parceiro comercial do Irã e seu principal comprador de petróleo.

Apesar das sanções severas impostas pelos EUA, a China se manteve como a principal tábua de salvação econômica para o Irã, adquirindo grandes volumes de petróleo a preços reduzidos.

Em 2025, a China comprou mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã, contribuindo para a estabilização econômica do país e financiamento de gastos com defesa.

Um acordo estratégico de 25 anos firmado em 2021 solidificou essa relação, prometendo investimentos chineses em infraestrutura e telecomunicações no Irã.

Historicamente, a abordagem da China em relação às tensões entre Irã e Israel tem sido de contenção estratégica, defendendo a "moderação" e atribuindo responsabilidades à "interferência externa".

Em confrontos anteriores, a China atuou como escudo diplomático do Irã, mas nunca ofereceu intervenção militar.

Para a China, um regime pró-Ocidente no Irã significaria uma derrota geopolítica significativa, visto que o Irã é um importante fornecedor de energia e um contrapeso à influência americana na região.

Enquanto Brasil, China e Rússia condenaram os ataques conjuntos de EUA e Israel, outros membros do Brics, como Arábia Saudita e Índia, não se posicionaram da mesma forma.

Especialistas apontam que a crise atual no Irã expõe as contradições do Brics e coloca em risco a capacidade de ação coletiva do grupo.

Sem uma invasão em larga escala, as estruturas políticas do Irã devem se manter. A China adotará sua "estratégia de longo prazo", buscando estabelecer laços com quem assumir o poder após Khamenei, enquanto a Rússia buscará novas oportunidades.

Reportagem adicional de Leandro Prazeres, da BBC News Brasil.


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