Como petróleo em alta afeta receitas, exportação e inflação do Brasil? XP explica
Impacto da alta do petróleo nas receitas, exportações e inflação do Brasil
02/03/2026 05h00
Atualizado 11 horas atrás
Os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã devem resultar em uma significativa alta nos preços do petróleo, com analistas prevendo que o valor possa ultrapassar US$ 100 o barril em breve.
A referência global aumentou neste ano, alcançando US$ 73 por barril na sexta-feira (27), seu maior valor desde julho, impulsionada pelas crescentes preocupações com os potenciais ataques, que ocorreram um dia depois.
Diante desse cenário, a XP Investimentos elaborou previsões sobre os impactos da alta da commodity na economia.
Receitas fiscais e balança comercial
A equipe macroeconômica da XP estima que, para cada US$ 10 de aumento no preço do petróleo, as receitas fiscais líquidas podem crescer em R$ 10,7 bilhões, com a balança comercial tendo um incremento de US$ 8,5 bilhões e a inflação podendo aumentar em cerca de 40 pontos-base para 2026, assumindo que outros fatores, como o valor do real, permaneçam inalterados.
O cenário base atual da XP é fundamentado em um preço médio do petróleo Brent de US$ 60 por barril e uma trajetória cambial de R$ 5,25 por dólar no primeiro semestre, com expectativa de convergência para R$ 5,50 no segundo semestre. A XP destaca que os recentes ataques dos EUA ao Irã aumentaram o risco de interrupções no fornecimento global.
Efeitos diretos da alta do petróleo
A alta dos preços do petróleo bruto pode gerar um impacto positivo de aproximadamente R$ 10,7 bilhões nas projeções de receita líquida e saldo primário, além de elevar a balança comercial em cerca de US$ 8,5 bilhões e aumentar a inflação em cerca de 40 pontos-base neste ano.
Um aumento de US$ 10 no preço do petróleo Brent teria efeitos diretos e indiretos nas receitas fiscais:
- Exploração de recursos naturais: A XP prevê um aumento de cerca de R$ 10,5 bilhões nas receitas provenientes de royalties e participação especial neste ano. Contudo, aproximadamente 55% a 60% dessa receita é repassada a estados e municípios, resultando em um efeito líquido para o governo federal de cerca de R$ 4,5 bilhões.
- Dividendos e participações acionárias: Com a transferência do aumento do preço do petróleo para os combustíveis, a XP calcula um impacto de R$ 3,7 bilhões sobre os dividendos da Petrobras (PETR3; PETR4) neste ano, os quais não são repassados para governos subnacionais e são destinados à amortização da dívida pública.
- Receita tributária: Os impactos seriam especialmente sentidos nos impostos IRPJ/CSLL, atrelados aos lucros das empresas petrolíferas. Um aumento de US$ 10 resultaria em um crescimento de aproximadamente R$ 5 bilhões na receita tributária, ou cerca de R$ 2,5 bilhões na receita líquida.
O total do aumento de US$ 10 no preço do petróleo poderia impactar em R$ 10,7 bilhões as estimativas de receita líquida e saldo primário, fazendo com que a previsão de déficit de R$ 48,9 bilhões neste ano se torne menos pessimista.
Influência nos preços ao consumidor
Modelos da XP indicam que um aumento sustentado de 10% nos preços do Brent resultaria em um impacto de cerca de 25 pontos-base no Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). Nesse contexto, preços do Brent em torno de US$ 70 ao longo do ano poderiam elevar o IPCA em até 40 pontos-base.
A XP não contempla ajustes nos preços dos combustíveis para 2026. Atualmente, os preços da gasolina no mercado interno estão em linha com os internacionais, enquanto o diesel apresenta uma diferença de 15% em relação aos preços globais, aumentando o risco de reajustes. Embora o impacto direto no IPCA seja modesto, o efeito indireto pode ser sentido através dos custos de frete e transporte, afetando preços de alimentos e bens industrializados.
Papel do petróleo nas exportações brasileiras
O petróleo é crucial para as contas externas do Brasil, consolidando-se como um dos principais produtos de exportação do país, representando cerca de 13% do total das exportações brasileiras.
O aumento contínuo da produção promete volumes robustos de exportação este ano, mesmo com o Brasil importando alguns produtos refinados. Esses fluxos não alteram a posição do Brasil como exportador líquido de petróleo.
Um preço do Brent em torno de US$ 70 aumentaria as receitas de exportação de petróleo em aproximadamente US$ 13,3 bilhões este ano, enquanto as importações relacionadas ao petróleo poderiam aumentar em cerca de US$ 4,8 bilhões. Assim, o superávit comercial melhoraria em aproximadamente US$ 8,5 bilhões em 2026, passando de US$ 62,5 bilhões para US$ 71 bilhões no cenário base atual.
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