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Como os líderes do Irã planejam sobreviver diante da superioridade militar americana

Como os líderes do Irã planejam sobreviver diante da superioridade militar americana

Os Estados Unidos e Israel afirmam que seus ataques aéreos conjuntos já causaram danos significativos às instalações militares do Irã.

"Suas defesas aéreas, sua força aérea, marinha e liderança se foram", postou o presidente americano, Donald Trump, na sua plataforma Truth Social na terça-feira (3/3). "Eles querem conversar. Eu disse: 'Tarde demais!'"

O Irã reagiu lançando ataques contra Israel e os países do Oriente Médio que abrigam bases militares dos Estados Unidos, afirmando estar agindo em autodefesa.

Mas, com Israel e os Estados Unidos considerados militarmente superiores, quais opções teria o Irã nesta guerra? E qual estratégia o país está buscando seguir?

O especialista em segurança do Oriente Médio, H. A. Hellyer, do centro de estudos britânico Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês), afirma que o atual objetivo militar do Irã não é vencer os Estados Unidos ou Israel "em uma guerra convencional", mas sim transformar o conflito em um evento "prolongado, regionalmente disperso e economicamente caro".

"O Irã não pode vencer convencionalmente", explica ele, "mas sua estratégia é garantir que a vitória dos demais permaneça cara e incerta."

A professora Nicole Grajewski, do Centro de Estudos Internacionais (Ceri, na sigla em francês) da Universidade Sciences Po, na França, é da mesma opinião.

Ela descreve a estratégia do Irã como "uma guerra de atrito", projetada para desgastar o oponente, drenar seus recursos e infligir perdas sustentadas, até enfraquecer sua capacidade de luta.

Os Estados Unidos afirmam que os ataques do Irã já causaram danos significativos às instalações militares do país, mas nem todas as ações destruíram sistemas. De acordo com a declaração de Trump, os Estados Unidos têm "atualmente" 1.000 mísseis balísticos iranianos, mas não há informações sobre a quantidade total, devido à escassez de armamentos.

Israel calcula que o Irã tivesse cerca de 2.5 mil mísseis em fevereiro de 2026, de curto (até 1 mil km) e médio alcance (1 mil a 3 mil km), mas não há informações sobre a quantidade total, devido à escassez de armamentos.

O Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS, na sigla em inglês), sediado em Tel Aviv (Israel), declarou que os Estados Unidos e Israel já realizaram mais de 2 mil ataques com múltiplas munições, enquanto o Irã lançou 571 mísseis e 1.391 drones, muitos dos quais foram interceptados.

Manter este nível de combate se tornará cada vez mais difícil para os dois lados, à medida que a guerra continua, defendem os especialistas.

Os países do Golfo, incluindo Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, declararam que estavam preparando-se para uma guerra em caso de que o Irã se tornasse um ator mais agressivo.

"Não acreditamos que o Irã esteja preparado para uma guerra prolongada", afirma o emir de Abu Dhabi, Sheikh Mohammed bin Zayed Al Nahyan, no Al Jazeera.

"É uma situação que pode afetar a estabilidade regional e global", acrescenta ele.

A Turquia buscou mediar as negociações entre o Irã e os Estados Unidos antes do início da guerra aérea no final de semana (28/2-1/3), mas o país alertou para que "todas as partes evitem tomar ações que gerem escaladas maiores".

Manter as negociações pode ser difícil, pois a Turquia está apoiando a posição de Israel, enquanto o Irã se juntou a grupos rebeldes no Iêmen.


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