Como o Irã usa mísseis e drones para elevar o custo político da guerra
Uso estratégico do arsenal militar iraniano
O Irã tem adotado uma abordagem calculada ao utilizar seu arsenal militar para pressionar adversários e aumentar os custos econômicos e políticos dos conflitos no Oriente Médio. Com um inventário robusto de mísseis balísticos e drones, o regime busca diminuir a disposição de Israel e das monarquias árabes do Golfo em conduzir campanhas militares que ameaçam seus interesses. A análise é de Lourival Sant'Anna, à CNN.
O analista destaca que "o Irã tem um arsenal robusto de mísseis balísticos e drones. Os mísseis são muito rápidos e, quando disparados em grande quantidade, têm capacidade de sobrecarregar sistemas de defesa".
Essa estratégia visa saturar os sistemas antiaéreos das monarquias árabes do Golfo, aliadas dos Estados Unidos, e que abrigam bases americanas, assim como o sistema de defesa israelense. Apesar de ser robusto, este último não conta com proteção perfeita contra ataques massivos.
Além disso, os drones iranianos têm a capacidade de penetrar os sistemas antiaéreos israelenses, projetados principalmente para interceptar grandes mísseis, e não pequenos veículos aéreos não tripulados. O Irã tem empregado esses drones de forma gradual, com o intuito de minar o apoio da população israelense às operações militares.
Um exemplo dessa estratégia ocorreu recentemente, quando a refinaria saudita Ras Tanura, responsável por processar cerca de 500 mil barris de petróleo diariamente, foi atingida. Essa quantidade é significativa, considerando que a Arábia Saudita produz aproximadamente 10 milhões de barris por dia. Ataques a infraestruturas críticas como essa podem gerar impactos consideráveis na economia global.
O objetivo iraniano vai além de causar danos diretos; busca também pressionar as monarquias árabes do Golfo a dissuadir os Estados Unidos de apoiar campanhas militares contra o Irã e seus aliados na região.
"A ideia é elevar o custo econômico e político dessa campanha", apontou Sant'Anna. Com isso, o regime iraniano tenta alterar os cálculos estratégicos de seus adversários, forçando-os a reconsiderar suas posições no complexo tabuleiro geopolítico do Oriente Médio.
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