Como Guerra do Irã coloca em xeque as ambições da China
Como Guerra do Irã coloca em xeque as ambições da China
A China não está sendo afetada diretamente pela guerra no Oriente Médio — até agora. Mas está sentindo as ondas de choque.
No curto prazo, o país tem reservas de petróleo suficientes para vários meses. E, depois disso, Pequim poderá pedir ajuda para a vizinha Rússia.
Mas a China irá calcular o que isso pode significar a longo prazo, não apenas para os seus investimentos no Oriente Médio, mas também para suas ambições globais.
A segunda maior economia do mundo continua enfrentando baixos níveis de consumo, uma prolongada crise imobiliária e uma enorme dívida interna.
Na primeira vez desde 1991, o governo chinês reduziu suas expectativas de crescimento econômico, apesar do seu rápido desenvolvimento em alta tecnologia e indústrias renováveis.
A China pode ter esperado que a exportação fosse a saída para os seus problemas econômicos. Mas o país passou um ano travando uma guerra comercial com os Estados Unidos.
Agora, Pequim enfrenta a perspectiva de convulsões no Oriente Médio, que oferece as suas principais rotas de navegação e abastece grande parte das suas necessidades de energia.
Quanto mais tempo se arrastar a guerra, maiores serão os prejuízos, especialmente se o tráfego pelo Estreito de Ormuz permanecer bloqueado.
Não há motivos reais, sejam eles culturais ou ideológicos, para que a China tenha amizade com o Irã.
O Irã, em alguns momentos, serviu bem à estratégia chinesa de quase 'dividir para conquistar', por ser uma irritação constante para os Estados Unidos.
A China não considera suas "alianzas" da mesma forma que o Ocidente. O país não assina tratados de defesa mútua e não virá correndo em auxílio ao seu aliado.
Pequim pode observar uma possibilidade de ajudar a mediar os diálogos com outros países.
A China pisa com cautela porque um dos maiores fatores para o país é o intempestivo presidente americano, que deve chegar a Pequim para uma reunião muito aguardada ainda este mês.
A China pode considerar esta oportunidade como uma chance de "procurar indicações" sobre como Trump pode reagir a outros pontos de conflito, como a questão de Taiwan, a ilha autogovernada reivindicada por Pequim.
A crise atual apresenta a alguns na China a oportunidade de rotular Washington como país promotor de guerras, algo que o Exército de Libertação Popular chinês já fez nas redes sociais.
Mas ter um agente tão "disfuncional e imprevisível" pode ser uma fonte de inquietação para Pequim, segundo Brown.
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