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Como funcionava o esquema internacional que fez trio ser preso com 248 kg de cocaína no Ceará

Funcionamento do esquema internacional que levou à prisão de trio com 248 kg de cocaína no Ceará

O esquema envolvia um motorista responsável pelo transporte da droga e outros indivíduos que atuavam como "escoltas" para evitar a fiscalização.

A captura de três homens com 248,9 quilos de cocaína na BR-222, em Caucaia, em abril de 2024, desvendou um esquema internacional que agora está sob investigação da Polícia Federal (PF) e denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF). O processo está na fase de instrução, onde a acusação e a defesa apresentam suas provas. No último dia 10 de fevereiro, o MPF solicitou à Justiça a condenação do trio por tráfico de drogas e associação para o tráfico, destacando o caráter transnacional do crime.

Documentos obtidos pelo Diário do Nordeste revelam que a análise da Delegacia de Repressão às Drogas da PF no Ceará identificou conversas no WhatsApp de um dos presos com um número da Bolívia, indicando que a cocaína pode ter origem externa. O território boliviano é reconhecido como um dos principais fornecedores de cocaína nas investigações em andamento. Além disso, mensagens trocadas com um número do Paraguai e a nacionalidade paraguaia de um dos réus reforçam a conexão internacional do esquema.

Os envolvidos são:

Carlos Ricardo Zago: motorista do caminhão que transportava a droga.

Delmir Fanin: condutor de um Corolla, já com condenação anterior por tráfico.

Jorge Antonio Quiñonez Gonzalez: passageiro do Corolla, de nacionalidade paraguaia.

Além da condenação, o MPF requereu a perda dos bens dos réus, incluindo o caminhão Volvo e o Toyota Corolla, utilizados na operação.

A apreensão da droga ocorreu na madrugada de 14 de abril de 2024, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). O setor de inteligência da PRF havia identificado um caminhão sem nota fiscal, acompanhado por um Corolla, conhecido pelos agentes como um "batedor de drogas".

Os batedores, Delmir e Jorge, foram parados no km 11 da BR-222. Ao ser abordado, Delmir tentou alertar Carlos sobre a fiscalização, mas sem sucesso. Após a abordagem, os ocupantes do Corolla alegaram estar no Ceará em busca de terrenos para investimento, enquanto Carlos se identificou como transportador de grãos. Essas declarações foram consideradas suspeitas pelos agentes.

Embora os ocupantes do Corolla negassem conhecer Carlos, análises de mensagens e ligações nos celulares apreendidos mostraram que eles estavam em contato. Jorge enviou mensagens a Carlos em 10 de abril de 2024, indicando uma coordenação entre eles.

A investigação revelou um esquema de tráfico "altamente organizado", com funções bem definidas entre os participantes. O caminhão de Carlos havia saído do Paraná, enquanto o Corolla foi utilizado a partir de 4 de abril de 2024, quando Delmir e Jorge viajaram de avião de Cascavel (PR) para Fortaleza. Após a chegada, seguiram em direção ao interior do Ceará, passando por estados vizinhos.

Registros da PRF indicam que, horas antes da abordagem policial, ambos os veículos trafegavam juntos em trechos específicos:

08/04/2024 – Juntos no Maranhão.

13/04/2024 – Juntos em Buriti dos Lopes/PI e em Canindé/CE.

A defesa de Carlos Ricardo Zago, representada pelos advogados Dellano Sousa e Silva e Helivângelo do Carmo Barbosa, reconheceu o pedido de condenação do MPF, mas destacou que o processo ainda não chegou à fase de julgamento. Eles expressaram confiança na imparcialidade do Judiciário.

A defesa de Jorge Antonio Quiñonez Gonzalez, sob responsabilidade do advogado Lucas Brendo Correia Bezerra, afirmou que planeja provar a inocência do réu. A reportagem não obteve resposta da defesa de Delmir Fanin até a publicação.


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