Como complicações durante a gravidez podem ter contribuído para a extinção dos neandertais
Um recente estudo sugere que a ausência de um mecanismo biológico que protegesse as gestantes neandertais contra pré-eclâmpsias e eclâmpsias pode ter sido um fator crucial para sua extinção. Essa deficiência genética aumentaria as taxas de mortalidade materna e fetal, impactando a demografia da espécie e se somando a outros elementos que levaram à sua queda populacional.
A nova hipótese
Pesquisadores apontam que os neandertais enfrentavam uma maior incidência de complicações na gravidez por não possuírem um sistema de "salvaguarda" genético, presente em Homo sapiens. A falta desse mecanismo pode ter resultando em um aumento significativo de mortes de mães e fetos, afetando a capacidade reprodutiva da espécie. A pré-eclâmpsia, uma condição exclusivamente humana ligada ao desenvolvimento cerebral, destaca a importância de considerar doenças reprodutivas na análise da extinção de espécies antigas.
Contexto histórico
Durante pelo menos 10 mil anos, Homo sapiens e Homo neanderthalensis coexistiram. Aproximadamente 40 mil anos atrás, após um longo período de declínios populacionais, os neandertais desapareceram. As causas dessa extinção são complexas e incluem mudanças climáticas, conflitos com sapiens, isolamento extremo, endogamia e quedas de fertilidade.
Recentemente, especialistas levantaram a hipótese de que complicações como pré-eclâmpsias e eclâmpsias, que são graves durante a gestação, podem ter contribuído para o desaparecimento dos neandertais. A falta de um mecanismo de proteção durante gestações de risco pode ter aumentado as chances de complicações fatais.
O que são pré-eclâmpsia e eclâmpsia
A pré-eclâmpsia, conhecida como a “maldição da reprodução humana”, é a primeira doença a ser registrada na história. Documentada há mais de 5 mil anos, é uma condição exclusiva da nossa espécie, resultante do tamanho do nosso cérebro. Durante a gestação, a placenta deve invadir a parede uterina para redirecionar o fluxo sanguíneo da mãe para o feto. Quando isso não ocorre adequadamente, o corpo da mãe reage aumentando a pressão sanguínea, o que pode levar à pré-eclâmpsia.
Essa condição afeta entre 2% a 8% das gestações e é uma das principais causas de morte durante a gravidez. A eclâmpsia, por sua vez, ocorre quando a pressão elevada provoca convulsões na mãe, afetando cerca de 1% das gestações. O único tratamento conhecido é o parto, frequentemente prematuro.
Implicações do estudo
Os pesquisadores compararam registros médicos atuais com o DNA neandertal e identificaram diferenças genéticas que podem levar à ausência desse mecanismo de proteção. Além disso, a limitada variabilidade genética nas pequenas comunidades de neandertais pode ter agravado a situação.
Embora ainda não existam evidências diretas de que as taxas de pré-eclâmpsia e eclâmpsia foram mais altas nos neandertais, o estudo sugere que a falta desse mecanismo de proteção pode ter contribuído para a redução populacional.
Os autores do estudo ressaltam a necessidade de um diálogo maior entre médicos e antropólogos sobre a pré-eclâmpsia, um fator que pode ter representado uma ameaça significativa à sobrevivência dos neandertais e, por extensão, à biologia reprodutiva de espécies antigas.
← Voltar para as notícias