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Como 'amizade próxima' entre EUA e Irã deu lugar a bombardeios e tensão máxima

A Transição da Amizade entre EUA e Irã para Conflito Militar

Julia Braun, da BBC News Brasil em Londres

Em 1977, o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter descreveu a relação entre seu governo e o Irã como uma "amizade próxima" durante uma visita a Teerã. Naquela época, o Irã era uma monarquia sob o comando do xá Reza Pahlavi.

Carter afirmou que o Irã era uma "ilha de estabilidade em uma das regiões mais conflituosas do mundo", expressando sua profunda gratidão e amizade pessoal por Pahlavi. O xá, por sua vez, se referiu aos EUA como "a grande nação americana", elogiando os "princípios morais" de seu governo.

No entanto, essa troca de elogios parece impensável em 2026, quando a tensão entre os EUA e o Irã atingiu níveis alarmantes após bombardeios em diversas cidades iranianas. As Forças de Defesa de Israel (IDF) relataram ataques iranianos em retaliação, e instalações da Marinha dos EUA no Bahrein também foram atacadas.

Antes dos bombardeios, a Casa Branca havia ordenado um dos maiores deslocamentos militares americanos no Oriente Médio desde a Guerra do Iraque. Os objetivos do governo de Donald Trump em relação ao Irã ainda são nebulosos, mas ele declarou que os EUA iriam destruir a indústria de mísseis iraniana e "aniquilar" sua Marinha, incentivando os iranianos a derrubar o regime clerical.

Essa evolução da relação, que começou com uma amizade próxima, é complexa. Durante as décadas de 1970, o Irã, sob o xá, passou por um processo de modernização, incluindo reformas sociais e econômicas. As mulheres conquistaram direitos como o voto, e Teerã era conhecida por sua vida noturna vibrante.

Entretanto, a relação EUA-Irã começou a se deteriorar após o golpe de Estado de 1953, orquestrado pela CIA e pelo Mossad, que derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq. Essa intervenção estrangeira gerou um sentimento antiamericano que culminou na Revolução Islâmica de 1979, a qual transformou o Irã em uma república islâmica sob a liderança de Ruhollah Khomeini.

Khomeini, um crítico do xá, se tornou uma figura central na revolução, que uniu diversos setores da sociedade em busca de mudanças. A nova república adotou uma postura antiocidental, e a relação com os EUA se deteriorou ainda mais após a invasão da embaixada americana em Teerã, resultando em um rompimento formal das relações.

Desde então, o desenvolvimento do programa nuclear iraniano aprofundou a crise. Embora o Irã afirme que seu programa é civil, os EUA suspeitam de intenções bélicas. A investigação da Agência Internacional de Energia Atômica revelou atividades relevantes para o desenvolvimento de armas nucleares.

Os EUA têm um histórico ambíguo em relação ao programa nuclear iraniano, pois ajudaram a estabelecer as bases do desenvolvimento nuclear na década de 1950. No entanto, a relação entre os dois países continua marcada por desconfiança e hostilidade, com o atual regime iraniano sob o controle do aiatolá Ali Khamenei, que mantém um regime autoritário e repressivo.

As tensões atuais entre EUA e Irã refletem uma longa história de intervenções, revoluções e desconfiança, com o futuro da relação parecendo incerto.


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