Combustível em Gaza está quase no fim após Israel fechar fronteiras por guerra no Irã
Combustível em Gaza se esgota após fechamento de fronteiras por conflitos
02/03/2026 22h13
Atualizado 16 minutos atrás
Gaza enfrenta uma crise iminente de combustível, com seus já limitados suprimentos se esgotando rapidamente. As autoridades alertaram que a escassez de alimentos básicos pode se agravar após Israel bloquear a entrada de combustível e mercadorias no território, em meio aos conflitos com o Irã.
No último sábado, as Forças Armadas de Israel fecharam todas as passagens de fronteira com Gaza, logo após a realização de ataques aéreos contra o Irã, em conjunto com os Estados Unidos.
No terceiro dia de conflitos no Oriente Médio, a situação continua a se deteriorar. O ex-presidente Donald Trump realizou sua primeira coletiva, enquanto o embaixador iraniano expressou agradecimento ao presidente Lula.
A Petrobras está atenta às flutuações do petróleo, que viu os preços do Brent subirem até 13% nesta segunda-feira.
Na noite desta segunda-feira, autoridades israelenses informaram que pretendem reabrir na terça-feira a passagem de Kerem Shalom, permitindo uma "entrada gradual de ajuda humanitária" em Gaza, sem especificar os volumes.
Antes, as autoridades já haviam mencionado que as passagens não poderiam operar com segurança devido à guerra.
Gaza depende completamente do combustível transportado por caminhões de Israel e do Egito. A falta de novos suprimentos pode comprometer operações hospitalares e ameaçar serviços de água e saneamento, segundo alertas de autoridades locais. A maioria dos palestinos na região é composta por deslocados internos, resultado de dois anos de conflito com militantes do Hamas.
Karuna Herrmann, diretora em Jerusalém do Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos, comentou que "talvez tenhamos alguns dias de funcionamento".
Amjad Al-Shawa, líder de ajuda humanitária em Gaza, estimou que os suprimentos de combustível podem durar apenas três ou quatro dias. Ele alertou ainda que os estoques de vegetais, farinha e outros itens essenciais também podem se esgotar rapidamente se as passagens permanecerem fechadas.
A Reuters não conseguiu confirmar essas estimativas de forma independente.
A COGAT, agência militar israelense responsável pelo controle de acesso a Gaza, afirmou que alimentos suficientes foram entregues desde o início da trégua em outubro para atender à população.
"Espera-se que os estoques existentes sejam suficientes por um longo período", disse a COGAT, sem entrar em detalhes. A agência não comentou sobre a possível escassez de combustível.
A trégua faz parte de um plano mais amplo apoiado pelos EUA para encerrar a guerra, que inclui a reabertura da passagem fronteiriça de Rafah com o Egito, visando aumentar o fluxo de ajuda ao enclave.
Hamada Abu Laila, um palestino deslocado em Gaza, expressou preocupação com o fechamento das fronteiras, que traz à tona o medo de uma nova onda de fome, semelhante à que atingiu a região no ano passado, após um bloqueio de 11 semanas às entregas de ajuda humanitária.
"Por que somos culpados, em Gaza, pelas guerras regionais entre Israel, Irã e EUA? Não é nossa culpa", desabafou Abu Laila.
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