Comando Vermelho Comando Vermelho – Wikipédia, a enciclopédia livre

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Comando Vermelho

Rogério Lemgruber (CVRL), popularmente conhecido como Comando Vermelho (CV), figura entre as duas maiores organizações criminosas do Brasil, ao lado do Primeiro Comando da Capital (PCC). Sua fundação remonta a 1979, no Instituto Penal Cândido Mendes, localizado na Ilha Grande, em Angra dos Reis, Rio de Janeiro.

De acordo com dados de 2024 do Atlas da Violência, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Comando Vermelho tem presença em diversas unidades federativas, incluindo Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins. Entretanto, não atua em Rio Grande do Sul e São Paulo, onde o PCC exerce domínio territorial. A ausência no Rio Grande do Sul é atribuída à forte resistência das facções locais em ceder espaço para grupos de fora.

O Comando Vermelho é uma evolução da Falange Vermelha, criado por Rogério Lemgruber e seus aliados na década de 1970. Uma das primeiras ações da organização foi a implementação do "caixa comum", que reunia recursos provenientes das atividades criminosas dos integrantes em liberdade, conhecidos como dízimos. Esse fundo não apenas financiava tentativas de fuga, mas também melhorava as condições de vida dos detentos, consolidando a autoridade do Comando Vermelho dentro do sistema prisional. Com a morte de vários fundadores, uma nova liderança emergiu, e aos poucos, a facção passou a ver o tráfico de drogas como a atividade mais lucrativa e segura.

Na década de 1990, a facção influenciou a formação do PCC em São Paulo. Posteriormente, uma dissidência chamada Comando Vermelho Jovem surgiu, mas foi reintegrada.

Nos últimos anos, o Comando Vermelho expandiu sua influência na região Norte do Brasil. O assassinato de Jorge Rafaat, conhecido como o Rei da Fronteira, em junho de 2016, resultou na ascensão do PCC naquela área. A perda de domínio na fronteira com o Paraguai levou o Comando Vermelho a buscar novas rotas para o tráfico, estabelecendo alianças com criminosos locais, especialmente no Pará e Amazonas. Historicamente, a facção manteve uma aliança com a Família do Norte, que foi rompida em 2019. Com essa nova dinâmica, o Comando Vermelho mira a rota Solimões, abastecida por narcotraficantes colombianos e peruanos, que enviam cocaína e skunk para o Pará, de onde as drogas podem ser distribuídas para a Europa ou para a região Sudeste do Brasil.

Em dezembro de 2022, Clemilson dos Santos Farias, conhecido como Tio Patinhas, foi preso e condenado a 31 anos de prisão, acusado de ser um dos líderes da facção no Norte. Ele também foi responsabilizado por financiar a fuga de 35 presos do Centro de Detenção Provisória de Manaus em maio de 2018. Sua esposa, Luciane Barbosa, foi identificada como uma importante figura financeira do Comando Vermelho na região, atuando como presidente do Instituto Liberdade do Amazonas (ILA), uma ONG que, segundo a polícia, era financiada pelo tráfico de drogas. Luciane esteve em diversas ocasiões no Ministério da Justiça e no Ministério dos Direitos Humanos, o que gerou um pedido de CPI por parte do senador Eduardo Girão para investigar a infiltração da facção no estado.

Em relação ao apoio da facção nas eleições municipais de 2024, José Braga Barroso, o Braguinha, prefeito reeleito de Santa Quitéria, no Ceará, foi preso em 1 de janeiro de 2025, suspeito de ligação com o Comando Vermelho, que apoiou sua campanha. Investigações apontaram que Anastácio Paiva Pereira, conhecido como Doze, orquestrou a interferência nas eleições.

Em 1 de julho de 2025, a Justiça Eleitoral cassou o mandato de Braguinha e de seu vice, Francisco Gardel Mesquita Ribeiro, por abuso de poder político e econômico em conexão com o Comando Vermelho.

O governo da Argentina, sob a liderança de Javier Milei, declarou o Comando Vermelho e o PCC como organizações narcoterroristas. Em 29 de outubro de 2025, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, anunciou que ambas as facções foram incluídas no Registro de Pessoas e Entidades Ligadas a Atos de Terrorismo (Repet). O governo do Rio de Janeiro também enviou um relatório aos EUA solicitando a classificação das facções como narcoterroristas. O governo paraguaio, liderado por Santiago Peña, seguiu o exemplo argentino.

A história do Comando Vermelho foi retratada no livro Quatrocentos contra um: Uma história do Comando Vermelho, de William da Silva Lima, que ajudou a criar o código de conduta da organização. Baseado nessa obra, foi produzido o filme 400 contra 1 - Uma História do Crime Organizado, dirigido por Caco Souza. A facção também aparece em Quase Dois Irmãos e no documentário Senhora Liberdade, lançado em 2004.

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