Comando Vermelho AM: Líder de núcleo político está foragido
Líder foragido do Comando Vermelho no Amazonas
A Polícia Civil do Amazonas confirmou que Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como líder do "núcleo político" do Comando Vermelho, está foragido após uma operação realizada na última sexta-feira (20). Ele é suspeito de liderar um esquema de tráfico de drogas que utilizava empresas de fachada e contava com a colaboração de servidores públicos.
Na operação, foram cumpridos 14 mandados de prisão, com oito detidos no Amazonas. Entre os presos, destacam-se uma ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um servidor do Tribunal de Justiça do estado.
Allan Kleber era conhecido por usar igrejas evangélicas como fachada para despistar as autoridades. Ele participava de cultos e se associava à comunidade religiosa, chegando a esconder drogas em um templo na Zona Leste de Manaus.
Ao todo, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, o que equivale a aproximadamente R$ 9 milhões anuais. As investigações revelaram que as ações do grupo envolviam a aquisição de drogas na Colômbia, que eram depois distribuídas a partir de Manaus para outros estados.
Detidos na operação
Os detidos no Amazonas incluem:
- Izaldir Moreno Barros: servidor do Tribunal de Justiça, acusado de fornecer informações sigilosas a favor do grupo criminoso.
- Adriana Almeida Lima: ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa, com transações financeiras suspeitas.
- Anabela Cardoso Freitas: investigadora da Polícia Civil e ex-chefe de gabinete do prefeito, acusada de movimentar valores em favor da facção.
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior: investigado por sua participação no esquema financeiro.
- Josafá de Figueiredo Silva: ex-assessor parlamentar, relacionado à rede de influência do grupo.
- Osimar Vieira Nascimento: policial militar sob suspeita de envolvimento com as atividades do núcleo.
- Bruno Renato Gatinho Araújo: preso no Amazonas, também listado como investigado.
- Ronilson Xisto Jordão: detido em Itacoatiara por suposta participação no esquema.
Além disso, Lucila Costa Meireles, presa fora do Amazonas, também é considerada integrante do núcleo político. Ela atuava como lobista e se apresentava como advogada, mesmo sem registro na OAB. Mensagens analisadas sugerem que ela pagou propina a um servidor do Judiciário.
Investigação em andamento
Outros oito investigados, incluindo Núbia Rafaela Silva de Oliveira, ex-assessora parlamentar, continuam foragidos. A polícia encontrou evidências de que Núbia colaborava com Allan Kleber para facilitar processos judiciais de interesse da organização.
Os envolvidos enfrentam acusações de organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro, entre outras.
A defesa de Anabela Cardoso Freitas alegou que ela não possui ligação com atividades ilícitas, enquanto o Tribunal de Justiça do Amazonas informou que já tomou medidas administrativas em relação ao servidor mencionado. A universidade onde Adriana Almeida Lima leciona também se manifestou, destacando que suas ações fora do ambiente acadêmico são de responsabilidade pessoal.
A Polícia Militar do Amazonas declarou que o cabo preso responderá judicialmente e administrativamente, mantendo colaboração nas investigações. A Prefeitura de Manaus negou ser alvo da operação e ressaltou seu compromisso com a legalidade.
A Câmara Municipal orientou que questionamentos sejam direcionados aos gabinetes dos vereadores envolvidos. A Assembleia Legislativa do Amazonas ainda não se manifestou sobre o caso.
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