Com saída de Tarcísio da disputa, Republicanos avalia neutralidade para o Planalto
Republicanos avalia neutralidade após saída de Tarcísio
25/02/2026 06h40
Atualizado 23 minutos atrás
Com a desistência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), da corrida presidencial, ministros de partidos do Centrão buscam reforçar apoios internos para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa estratégia se intensifica principalmente no Nordeste, onde Lula possui forte popularidade.
Tarcísio era visto como o candidato preferido por dirigentes de partidos como Republicanos, PSD, PP e União Brasil. Com sua saída e a direita se organizando em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do futuro candidato do PSD, auxiliares de Lula acreditam que há uma oportunidade para consolidar apoios estaduais e neutralizar a oposição do Centrão.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), comentou: “Trabalharei para que o Republicanos libere os estados e não formalize apoio a ninguém. Embora gostaria que apoiassem Lula, entendo as dificuldades regionais. Temos potencial para apoio em seis a oito estados, como Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Alagoas.”
Antes da indicação do filho de Jair Bolsonaro para a disputa presidencial, líderes do Centrão já planejavam acordos para palanques estaduais. Gilberto Kassab (PSD), Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil) estavam discutindo o apoio a pré-candidatos a governador, especialmente no Nordeste.
Tendência de neutralidade
O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, indicou que a tendência é liberar apoio a Lula em estados onde há maior afinidade com o PT, agora que Tarcísio não é mais candidato.
Pré-candidatos como Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, ACM Neto (União Brasil) na Bahia, e Eduardo Braide (PSD) no Maranhão estavam se aproximando de Tarcísio, mas agora, com a candidatura de Flávio, essa relação se distanciou.
Na Bahia, esperava-se que o PSD se afastasse do PT para apoiar Tarcísio, mas esse movimento foi interrompido. União Brasil e PP estão se preparando para enfrentar o PT baiano, porém, demonstram pouca disposição para apoiar Flávio.
No Ceará, Maranhão e Pernambuco, a federação União-PP está dividida, com algumas correntes buscando apoio a Lula. Ciro Gomes, que tenta aliança com o PL, já indicou que não deve apoiar Flávio.
Caso Tarcísio tivesse se mantido na disputa, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), enfrentaria dificuldades em apoiar o governador paulista, uma vez que Kassab era um dos principais apoiadores de sua candidatura. Agora, ela busca apoio de Lula sem restrições.
Fora do Nordeste, em Minas Gerais, a ala pró-Lula do União Brasil pode ganhar força com a possível filiação de Rodrigo Pacheco (PSD), que se reuniu com Lula recentemente.
Mesmo com o PSD apresentando candidatos à Presidência, como Ronaldo Caiado (Goiás), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná), a tendência é liberar apoio a Lula em estados como Pernambuco, Bahia, Sergipe e Rio.
A ausência de Tarcísio facilita também um acordo entre Arthur Lira, do PP, e Lula, já que Lira está avaliando abrir espaço para o petista em sua candidatura ao Senado.
No Nordeste, a maioria dos estados deve apoiar Lula, com o ministro do Esporte, André Fufuca, buscando consolidar apoio em estados como Maranhão, onde Lula teve 71,14% dos votos em 2022.
Fufuca destaca a importância da unidade entre os apoiadores de Lula e acredita que isso potencializa o apoio ao presidente nas próximas eleições. O PT está se aproximando de líderes do Centrão, com o presidente do PT, Edinho Silva, já se reunindo com Nogueira e Rueda para discutir possíveis coligações regionais.
No União Brasil, ministros como Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Gustavo Feliciano (Turismo) estão buscando apoios internos, prevendo que cerca de 20 a 25 deputados da bancada de 59 na Câmara possam apoiar a reeleição de Lula.
O PSD, que controla três ministérios, mostra proximidade com estados como Bahia e Sergipe, enquanto o MDB, com três ministros, também busca aliança com Lula em estados como Pará e Alagoas.
O ministro Renan Filho (Transportes) tenta unir alas do MDB e outras siglas em torno da candidatura de Lula, mesmo reconhecendo as dificuldades para a formalização desse apoio.
A família Barbalho, incluindo Jader Filho e o governador do Pará, Helder Barbalho, também articula para que o MDB apoie Lula, além de tentar aproximar o União Brasil. Jader Filho enfatiza a coerência do MDB em apoiar Lula desde o primeiro turno, dada a presença do partido em três ministérios.
Alguns governistas cogitam a possibilidade de oferecer a vice na chapa de Lula a um partido do centro em troca de apoio formal, embora essa ideia seja considerada delicada, especialmente com a boa avaliação do atual vice, Geraldo Alckmin (PSB). Lula, por sua vez, mantém o debate em aberto.
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