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'Com fascista não se conversa, se debate para desmascarar', diz Jones Manoel

A trajetória de Jones Manoel na política brasileira

Mônica Bergamo é uma renomada jornalista e colunista.

Jones Manoel, historiador e comunicador de 35 anos, emergiu como uma figura proeminente da extrema esquerda no Brasil através de debates que atraem milhões de visualizações. Natural de Recife, ele ganhou notoriedade ao enfrentar influenciadores e políticos de direita em mesas redondas transmitidas pelo YouTube, onde o formato é um debatedor contra um grupo de 20 opositores.

Esse estilo de debate, que já é popular nos Estados Unidos, foi planejado para romper com as bolhas ideológicas e ampliar a divulgação de um discurso político mais robusto, fundamentado no marxismo.

Com mais de uma década de militância comunista, ele critica a gestão de Lula, afirmando que a maior parte do que se considera esquerda atualmente não pode ser classificada como tal. Para ele, as políticas econômicas do governo são neoliberais, focadas em austeridade fiscal e parcerias com o setor privado.

Jones expressou que já esperava que seus debates alcançassem grande repercussão. O debate com 20 conservadores, por exemplo, obteve mais de 120 milhões de visualizações apenas nas redes sociais.

Ele esclarece a diferença entre agitação e propaganda dentro do marxismo, onde a agitação busca uma abordagem mais rápida e superficial, enquanto a propaganda se concentra em discussões teóricas mais profundas.

O debatedor enfrenta desafios ao lidar com perfis variados, incluindo pessoas que defendem atos de violência, o que exige um controle emocional significativo.

Quando questionado sobre a validade de todo diálogo, ele destacou que, com a extrema direita, o objetivo não é construir consenso, mas sim desmascarar. Ele expressou que não dialogaria com figuras como Nikolas Ferreira ou Carlos Jordy, mas estaria disposto a debater com Ferreira para expor suas falácias ao público.

Jones também comentou sobre a ascensão do conservadorismo entre os jovens, argumentando que as redes sociais favorecem conteúdos conservadores e que a esquerda falhou em apresentar um projeto alternativo.

Ele defende que a ruptura com o capitalismo deve ser articulada em três dimensões: organização da classe trabalhadora, luta por reformas estruturais e reivindicações imediatas por políticas públicas.

Ao abordar críticas sobre autoritarismo, Jones argumenta que, historicamente, o autoritarismo no Brasil foi perpetuado pela classe dominante, e defende uma democracia centrada nos trabalhadores.

Sobre a intervenção dos EUA na Venezuela, ele afirma que não há evidências que conectem o governo de Nicolás Maduro ao narcoterrorismo, considerando essa uma ação imperialista.

Em relação ao governo Lula, ele reconhece que o mérito do presidente é não ser um fascista, mas critica a política econômica neoliberal. Ele acredita que a esquerda precisa se reinventar e apresentar líderes claros para as próximas eleições.

Jones compartilha que, fora da política, é um amante de videogames, musculação e artes marciais, e planeja se aventurar no stand-up comedy.

Ele revelou que, após a condenação de Bolsonaro pelo STF, comemorou, mas com cautela, ressaltando que a democracia ainda enfrenta desafios significativos.

Jones se tornou comunista aos 18 anos, quando passou por experiências difíceis no trabalho. Seu primeiro contato com o marxismo ocorreu por meio de um amigo e o levou a abrir um cursinho popular em sua comunidade, marcando o início de sua militância política.

Ele está considerando candidatar-se a um cargo, seja à Presidência ou à Câmara dos Deputados, e busca construir uma unidade na esquerda radical.

Fora de sua vida política, Jones é um pernambucano que começou a trabalhar cedo e foi o primeiro da família a cursar uma faculdade. Em 2025, ele começou a frequentar shows de stand-up comedy, expressando o desejo de também se apresentar um dia.

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