TRT17

CNJ investiga vice-presidente do TRT-17 por brigas políticas no WhatsApp

O ministro Mauro Campbell Marques, corregedor nacional de Justiça, notificou a desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, vice-presidente do TRT da 17ª região, para prestar esclarecimentos em uma reclamação disciplinar que investiga uma suposta conduta incompatível com a magistratura.

A reclamação foi apresentada por magistrados que relatam uma série de episódios em um grupo de WhatsApp da Amatra-17, associação dos magistrados da Justiça do Trabalho na região.

De acordo com a denúncia, a desembargadora teria compartilhado vídeos e mensagens de teor político-partidário ligados a correntes de extrema-direita, além de conteúdo depreciativo sobre ministros do STF e agressões verbais a colegas.

Nos autos, que não estão sob segredo de Justiça, Marise é acusada de referir-se a outros magistrados com expressões como "gentalha atrai gentalha" e de realizar ataques pessoais ao desembargador aposentado José Carlos Rizk, que havia divulgado uma nota pública da Frentas, em defesa do Estado Democrático de Direito.

Além disso, a desembargadora teria divulgado mensagens depreciativas sobre os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, também compartilhando conteúdos de figuras políticas como Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Paulo Figueiredo.

Os autores da reclamação afirmam que a magistrada utiliza suas redes sociais para promover manifestações de apoio a atos de políticos extremistas, incitando, mesmo que indiretamente, ataques às instituições democráticas.

Dada a gravidade das alegações, a diretoria da Amatra-17 convocou uma reunião emergencial em 31/7/25, cuja ata foi anexada ao processo. Os dirigentes consideraram as postagens de Marise suficientemente graves para justificar uma representação formal por violação à Loman e ao Código de Ética da Magistratura, além de possíveis implicações criminais.

Os magistrados ressaltaram que a conduta da desembargadora poderia prejudicar a imagem da Justiça do Trabalho no Espírito Santo e de todo o Judiciário, especialmente considerando a possibilidade de que Marise assuma a presidência do TRT da 17ª região em 18 meses.

A ata expressou preocupação com o "desequilíbrio psicológico e emocional" da desembargadora e aprovou medidas internas, como sua exclusão do grupo de WhatsApp da associação e a possibilidade de abertura de um processo administrativo interno para investigar sua conduta.

Na decisão liminar, o ministro Mauro Campbell reconheceu a gravidade das alegações, mas entendeu que as manifestações ocorreram em um grupo privado, composto por magistrados. Por essa razão, o pedido de afastamento imediato foi indeferido.

Entretanto, ele determinou que a magistrada seja notificada para apresentar sua defesa em 15 dias, conforme o regimento do CNJ.

O caso seguirá em análise pela Corregedoria, que poderá instaurar um processo administrativo disciplinar (PAD) para avaliar a possível aplicação de sanções, incluindo a aposentadoria compulsória, como solicitado pelos autores.

Processo: 0005507-92.2025.2.00.0000


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