Vazamento STF

Clima no STF piora com divulgação de trechos de reunião que resultou na saída de Toffoli do caso Master; ministro nega vazamentos

Clima no STF se agrava após divulgação de trechos de reunião que levou à saída de Toffoli do caso Master

Por Valdo Cruz, Márcio Falcão, Fernanda Vivas

13/02/2026 16h45 Atualizado 13/02/2026

A tensão no STF aumentou com as suspeitas de que reuniões privadas sobre a saída de Toffoli do caso Master foram gravadas e seus conteúdos vazados.

A divulgação de trechos dessas conversas pelo Poder360, considerados confiáveis por alguns ministros, acirrou a crise interna na Corte.

Dias Toffoli negou com firmeza as alegações de gravação ou vazamento de informações, afirmando que as acusações são "totalmente inverídicas".

Embora inicialmente houvesse apoio significativo entre os ministros para sua permanência, Toffoli decidiu se afastar da relatoria do caso Master, que agora será liderada por André Mendonça.

O clima no Supremo se deteriorou após a saída de Toffoli da relatoria. Ministros temem que as reuniões privadas tenham sido gravadas e que partes do conteúdo tenham sido compartilhadas com o Poder360.

Nesta sexta-feira (13), o veículo publicou um detalhado relato das reuniões realizadas no dia anterior, incluindo uma sessão preparatória que contou apenas com cinco ministros: Luiz Edson Fachin, Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.

Ao tomarem conhecimento da publicação, alguns ministros informaram que grande parte do que foi relatado é precisa e reproduz trechos exatos das falas dos magistrados. No entanto, outros afirmaram que algumas frases foram distorcidas.

Além disso, ministros relataram que várias partes das reuniões, que poderiam ser prejudiciais a Toffoli, não foram incluídas na reportagem, levando a uma crescente desconfiança sobre o colega que foi afastado da relatoria.

Procurado pela GloboNews, Toffoli reafirmou que a informação é "totalmente inverídica" e que nunca gravou ninguém.

Os ministros se disseram "atônitos" com a divulgação do conteúdo das reuniões, enquanto um deles classificou o vazamento como uma traição. "É uma traição, muitas frases são literais. Mas algumas são invenções em benefício do próprio vazador", comentou.

Com o relato que parece favorecer Toffoli, os ministros passaram a questionar a lealdade do colega que foi removido da relatoria.

Três reuniões ocorreram na quinta-feira, sendo uma reservada e exclusiva a cinco ministros antes da sessão plenária, além de duas ocorridas após a sessão. Nesses encontros, não havia assessores presentes, apenas os magistrados.

Um ministro observou que o clima tende a piorar com a divulgação das conversas. "Mesmo que não tenha sido gravado, alguém compartilhou frases literais e conteúdos significativos das reuniões com a imprensa. Isso é uma quebra de confiança", sinalizou.

Oito votos a favor de Toffoli, segundo reportagem

Conforme a reportagem do Poder360, na reunião reservada, oito dos dez ministros da Corte, incluindo Toffoli, se posicionaram a favor da permanência do ministro na relatoria do inquérito sobre fraudes financeiras do banco de Daniel Vorcaro.

Somente o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, e a ministra Cármen Lúcia teriam defendido a saída de Toffoli da relatoria.

Além de Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux, Flávio Dino e Cristiano Zanin apoiaram a manutenção do relator.

Entretanto, após um comentário de Dino sobre o contexto político do caso Master, Toffoli chegou à conclusão de que o melhor seria se afastar da relatoria, o que foi anunciado na noite de quinta-feira.

Com a saída de Toffoli, André Mendonça foi designado como novo relator do caso, evitando uma decretação de suspeição e preservando todos os atos já realizados pelo magistrado no inquérito.

Nesta sexta-feira, André Mendonça se reuniu com delegados da Polícia Federal envolvidos na investigação, buscando entender o andamento da apuração e os próximos passos do caso.


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