Cláudio Castro critica investigação da PF que aponta desvio de cargos em seu governo: 'Há politização do delegado'
Governador Cláudio Castro critica investigação da PF
Cláudio Castro se manifestou contra a investigação da Polícia Federal que aponta desvio de cargos em sua administração. Durante a inauguração de uma base da Operação Segurança Presente em Santa Cruz da Serra, no município de Duque de Caxias, o governador reagiu às conclusões do relatório que revela o loteamento de cargos em órgãos do Executivo estadual.
A investigação menciona uma planilha que detalha a divisão de cargos entre deputados aliados, englobando instituições como o Ceperj, a Fundação Leão XIII, a Lei Seca e a própria Segurança Presente. O documento também indiciou o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar. Segundo a PF, sob sua gestão, a Alerj "ampliou sua influência na tomada de decisões que deveriam ser prerrogativas do Governador".
Em entrevista ao EXTRA, Castro negou qualquer descontrole em relação às nomeações e afirmou que seu governo segue um modelo de coalizão similar ao adotado em outras esferas. Ele comentou:
— Eu li o relatório. O que eles precisam fazer é analisar a mesma situação no governo federal e na prefeitura, que também tem alianças políticas e um número elevado de secretarias.
O governador comparou seu secretariado à distribuição de ministérios no governo federal, mencionando partidos que ocupam cargos em Brasília. Ele expressou o desejo de que o delegado responsável pela investigação também examinasse a distribuição de cargos no nível federal.
Castro elevou o tom ao criticar a atuação do delegado.
— Tenho certeza de que há uma politização desse delegado, que é conhecido por sua parcialidade, e isso serve para desgastar o governo — afirmou.
Ele reforçou sua crítica, questionando se o mesmo escrutínio não poderia ser aplicado ao governo federal do qual o delegado faz parte.
Sobre a perda de controle nas nomeações, o governador foi enfático:
— Não existe essa de perder o controle. São 460 mil servidores, é impossível para o governador acompanhar cada caso.
Ele também destacou que o Estado possui menos secretarias do que a prefeitura da capital e o governo federal.
O relatório da PF menciona uma anotação que diz "cargos para compensar o Ceperj", referindo-se ao órgão que já foi investigado por pagamentos durante o período eleitoral de 2022, caso que também está sendo analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
A investigação sugere que a influência dos parlamentares ultrapassou os limites da articulação política típica em governos de coalizão, invadindo prerrogativas do Executivo estadual. Contudo, o governador rejeitou essa interpretação, atribuindo a apuração a motivações políticas.
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