Cid Gomes

Ciro no PSDB e Cid no PSB: irmãos Gomes consolidam ruptura política

Ciro no PSDB e Cid no PSB: Irmãos Gomes Consolidação da Ruptura Política

A recente volta de Ciro Gomes ao PSDB, com apoio do senador Tasso Jereissati, representa mais do que uma reaproximação com o partido que marcou o início de sua carreira política. Este movimento também indica um novo capítulo na crescente distância entre Ciro e seu irmão, Cid Gomes (PSB), um rompimento que, desde 2022, envolve questões políticas, estratégicas e pessoais após décadas de parceria.

A divisão entre os irmãos teve início nas eleições para o governo do Ceará em 2022. Naquele momento, o PDT, partido que ambos faziam parte, precisava decidir o sucessor do então governador Camilo Santana (PT), atual ministro da Educação.

Cid defendia a candidatura da governadora Izolda Cela, que havia assumido o cargo e mantinha uma aliança forte com o PT. Por outro lado, Ciro, em meio à sua campanha presidencial, pressionou o partido a apoiar Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza e seu aliado de longa data.

A escolha gerou divisões dentro do PDT e rompeu uma aliança de 16 anos com o PT. Izolda deixou o partido e se aproximou de Camilo Santana, enquanto Cid se recusou a apoiar Roberto Cláudio. O petista Elmano de Freitas venceu no primeiro turno, enquanto o candidato de Ciro ficou em terceiro lugar. A derrota evidenciou a fissura no grupo político dos Ferreira Gomes, que havia dominado a política cearense por quase duas décadas.

O distanciamento rapidamente se expandiu além das fronteiras estaduais. Ciro, candidato à Presidência pelo PDT, adotou um discurso agressivo contra o PT e o então candidato Lula, terminando a eleição em quarto lugar, com apenas 3% dos votos válidos — seu pior desempenho em quatro disputas presidenciais.

Após o primeiro turno, anunciou que seguiria a decisão do partido de apoiar Lula, mas não participou da campanha, o que gerou críticas até mesmo de aliados.

Cid, por sua vez, declarou apoio a Lula e trabalhou para restabelecer a aliança com o PT no Ceará, priorizando a estabilidade política do novo governo estadual.

Em 2023, a divisão se tornou um confronto direto. A direção nacional do PDT, alinhada a Ciro, interveio no diretório estadual e destituiu Cid da presidência do partido no Ceará. O senador recorreu à Justiça, obteve algumas decisões favoráveis e resistiu por alguns meses, mas a situação tornou-se insustentável.

Em fevereiro de 2024, Cid e Izolda Cela se filiaram ao PSB, levando prefeitos, vereadores e deputados estaduais consigo. Izolda, que havia deixado o governo estadual, ocupou até maio de 2024 o cargo de secretária-executiva do Ministério da Educação sob Camilo Santana.

A ruptura também afetou o núcleo familiar. Os irmãos Ivo, então prefeito de Sobral, e Lia Gomes, deputada estadual e atual secretária das Mulheres do Ceará, ficaram ao lado de Cid e se uniram ao PSB.

Enquanto Cid consolidava seu espaço no PSB, Ciro se afastava do PDT, um partido fragilizado e dividido. Ele começou a negociar seu retorno ao PSDB, pela qual foi eleito governador do Ceará em 1990. Também manteve conversas com o União Brasil, participando do lançamento da federação com o PP — grupo liderado no Ceará pelo ex-deputado Capitão Wagner, adversário histórico do PT e dos Ferreira Gomes.

Em um movimento que causou ruídos internos, Ciro sinalizou apoio ao deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Este gesto reforçou a mudança política e o distanciamento do campo da esquerda.

A filiação de Ciro ao PSDB, marcada para 22 de outubro, foi articulada por Tasso Jereissati, com quem mantém laços de amizade e políticos. O retorno ao partido que marcou o início de sua trajetória tem forte valor simbólico, repetindo a composição política que o levou ao governo estadual entre 1991 e 1994.

Aliados afirmam que a disputa estadual de 2026 é o cenário mais provável para o novo projeto de Ciro. Contudo, não descartam a possibilidade de que ele busque se viabilizar como nome de oposição a Lula e concorra pela quinta vez ao Planalto.

Enquanto Cid se alinha ao PT e à base governista, Ciro tenta reconstruir o centro político, atraindo quadros do PSDB, MDB e União Brasil. "O Brasil precisa de equilíbrio, não de hegemonia de um lado só", tem reiterado o ex-ministro em entrevistas recentes.

Ciro foi filiado a sete partidos ao longo de sua carreira — PDS, PMDB, PPS, PSB, Pros, PDT e agora PSDB pela segunda vez — e busca retomar protagonismo político fora do campo lulista.

Ainda que distantes, os irmãos foram vistos juntos em público em setembro de 2025, durante uma homenagem a Tasso em Fortaleza. A foto em que aparecem lado a lado foi amplamente divulgada, mas o gesto foi meramente simbólico. "Tasso tentou promover um gesto de pacificação, mas eles sequer conversaram sobre política", revelou um aliado próximo. "Há respeito familiar, mas não mais uma parceria política."

Atualmente, Ciro e Cid representam polos distintos da política cearense e nacional.

Ciro, de volta ao PSDB, aposta na construção de uma oposição moderada, com discurso de eficiência e equilíbrio fiscal.

Cid, no PSB, reforça um projeto de aliança progressista com o PT, mantendo influência sobre o governo de Elmano de Freitas e defendendo políticas de inclusão social.

De aliados inseparáveis a rivais silenciosos, os irmãos Gomes simbolizam a fragmentação do grupo político mais influente do Ceará nas últimas décadas. A recente foto dos dois juntos, sob a perspectiva conciliadora de Tasso Jereissati, ilustra o momento: um gesto de cortesia, mas sem reconciliação. Entre eles, permanecem os laços de sangue, mas, na política, cada um segue seu próprio caminho.


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