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Cientistas encontram fósseis de baleias a 400 km do mar

Pesquisadores do Museu do Norte da Universidade do Alasca descobriram que dois ossos, inicialmente catalogados como vértebras de mamutes, pertenciam, na verdade, a uma baleia-franca-do-Pacífico-Norte e a uma baleia-minke. A descoberta foi feita pelo paleontólogo Matthew Wooller e sua equipe, após a realização de testes de DNA antigo e datação por radiocarbono. Os ossos, que foram catalogados como provenientes de Dome Creek, estão localizados a cerca de 400 km da costa do Alasca central.

Os testes revelaram idades de 2.800 e 1.900 anos, surpreendendo os pesquisadores. A busca pelo mamute mais jovem do Alasca se transformou em um enigma envolvendo duas espécies de baleias e um colecionador de fósseis dos anos 50.

Dificuldades na identificação

As estruturas ósseas analisadas eram placas de crescimento vertebral, que não são facilmente identificáveis visualmente, especialmente após milênios enterradas. Especialistas consultados não conseguiram determinar a origem dos ossos apenas pela observação.

Wooller e sua equipe mencionaram que os dados de radiocarbono e isótopos estáveis foram os primeiros indícios de que algo estava errado, sem que eles inicialmente soubessem da gravidade do erro.

Erro de catalogação de 1951

O colecionador de fósseis Otto Geist catalogou os ossos como mamutes em 1951, baseando-se apenas na sua forma. Naquele ano, Geist coletou uma quantidade significativa de fósseis em diversos locais do Alasca, incluindo os 181 espécimes de Dome Creek, que chegaram ao museu junto com ossos de outro local, Dexter Point.

Os pesquisadores ressaltaram que a datação por radiocarbono é um processo caro, mas essencial antes de se dedicar tempo e recursos a análises adicionais.

Continuação da busca

A busca pelo mamute mais jovem do Alasca continua através do projeto Adopt-a-Mammoth, iniciado em 2022, com a colaboração da empresa de desextinção Colossal Biosciences. Até agora, cerca de 300 fósseis foram datados, e a adoção inclui uma foto e a opção de nomear o mamute.

Dados de DNA antigo congelado indicam que mamutes podem ter habitado a região até 5.700 anos atrás, enquanto muitos fósseis ainda aguardam datação.

Análise isotópica

A análise dos isótopos de nitrogênio e carbono nos ossos não correspondia ao esperado para mamutes, sugerindo que suas dietas eram mais semelhantes às de baleias modernas, o que é incomum para mamutes a 400 km da costa.

Os pesquisadores destacaram que o DNA antigo foi crucial para identificar corretamente os espécimes.

Hipóteses sobre a origem dos ossos

Os cientistas consideraram três possíveis explicações para a presença dos ossos de baleia em Dome Creek: transporte por carnívoros, humanos ou mesmo as baleias terem nadado até o local. A possibilidade de duas baleias diferentes terem realizado essa jornada é considerada improvável.

Transporte humano improvável

Embora humanos possam transportar objetos por longas distâncias, a hipótese de que os ossos foram levados para Dome Creek é vista como “possível, mas não provável”. Não há registros de ossos de baleia encontrados em outros sítios no interior do Alasca, sugerindo que esses itens não eram comuns.

Possível troca de catalogação

Os testes de DNA indicam que os ossos provavelmente nunca estiveram em Dome Creek, mas sim em Dexter Point. A troca de catalogação em 1951 é uma possibilidade considerada pelos pesquisadores, embora a origem exata dos ossos permaneça incerta.

A investigação sobre a origem dos fósseis continua, e os cientistas também buscam compreender melhor a extinção dos mamutes no Alasca, questionando se foi causada por caçadores humanos ou mudanças climáticas.


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