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Chuvas na Antártica estão modelando a vida no continente, diz pesquisadora

Chuvas na Antártica e seu impacto na bioesfera

Pesquisadores da Newcastle University destacam que as chuvas na Antártica estão afetando diretamente a bioesfera da região. A intensa onda de calor que atinge o planeta tem contribuído para um aumento nas precipitações, o que pode alterar o caráter glacial do continente.

A Península Antártica, localizada próxima à América do Sul, é a área mais afetada. Embora seja a parte mais quente do continente, o ritmo de aquecimento nessa região é mais acelerado do que em outras partes da Antártica e até mesmo em relação à média global.

Efeitos das chuvas na Península Antártica

Com o aumento da temperatura, os cientistas notaram que a frequência de chuvas também tem crescido. Se temperaturas acima de 0ºC se tornarem comuns, isso poderá transformar radicalmente a paisagem da região norte.

A professora de Glaciologia e líder da pesquisa, Bethan Davies, esclareceu que os rios atmosféricos, que transportam ar quente e úmido, estão se integrando ao clima antártico, resultando no derretimento da superfície de gelo. Ela afirma: "Esses eventos estão se tornando mais frequentes, trazendo chuvas e derretimentos para áreas onde antes não eram observados."

Consequências das chuvas sobre o gelo

As chuvas elevam a temperatura e derretem a neve, que funciona como uma camada protetora para os glaciares. Com a neve removida, a base glacial se torna "lubrificada" e desliza, aumentando o desprendimento de icebergs e acelerando a perda de massa glacial para o oceano.

A diminuição do gelo marinho prejudica o habitat de algas e crustáceos como o krill, além de reduzir as áreas de reprodução de animais típicos da região, como pinguins e focas.

Os pinguins, que evoluíram em um ambiente polar e não têm penas à prova d'água, correm risco de hipotermia ao entrarem em contato com a chuva. Isso também afeta outros invertebrados e moluscos.

Adicionalmente, a redução do krill e de outras fontes alimentares pode levar à substituição de espécies de pinguins, como Adélie e chinstrap, por aquelas mais adaptáveis, como os pinguins gentoo.

As algas na região podem escurecer a superfície da neve, aumentando a absorção de calor e acelerando o derretimento.

Impactos na comunidade humana

A comunidade humana que reside na Antártica e as construções na região também podem ser afetadas pela água do degelo, necessitando de manutenções frequentes.

"A Península Antártica já está passando por mudanças rápidas. Se o aquecimento global alcançar 2°C ou 3°C neste século, os fenômenos climáticos extremos, as chuvas e o derretimento da superfície se intensificarão. Os danos aos ecossistemas, infraestruturas, geleiras e locais históricos poderão ser graves e potencialmente irreversíveis. A chuva, que antes era rara na Antártica, está se transformando em uma força capaz de remodelar a vida na península."

*Sob supervisão de Tonny Aranha*


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