Chuvas em Minas: equipes buscam 47 desaparecidos; 23 morreram em Juiz de Fora e Ubá
As intensas chuvas que afetaram a Região Sudeste desde a noite de segunda-feira (23/2) resultaram em 23 mortes na Zona da Mata de Minas Gerais, conforme informou o Corpo de Bombeiros. As consequências também se estenderam a vítimas e desalojados em Rio de Janeiro e São Paulo.
O estado de Minas Gerais é o mais impactado, concentrando o maior número de fatalidades.
A cidade de Juiz de Fora foi uma das mais afetadas, com 16 óbitos confirmados nas últimas 24 horas e cerca de 43 pessoas desaparecidas. Em Ubá, localizada a aproximadamente 100 quilômetros de Juiz de Fora, registrou-se a morte de sete pessoas, com quatro desaparecidos.
Em apenas sete horas, o volume de chuva em Juiz de Fora atingiu cerca de 80% da média esperada para todo o mês. A prefeita Margarida Salomão (PT) declarou estado de calamidade pública, que foi reconhecido pelo governo federal.
"Hoje é o dia mais triste dos meus cinco anos e dois meses de governo porque é o dia que temos que registrar, pela primeira vez, perdas de vida decorrentes desses fenômenos climáticos", lamentou a prefeita.
A prefeitura informou que ao menos 20 imóveis foram soterrados, principalmente na região sudeste da cidade. Há 440 pessoas desabrigadas, que estão sendo acolhidas provisoriamente em três escolas.
O Corpo de Bombeiros recebeu um reforço de 150 agentes de outras cidades, com a ajuda de cães farejadores.
No bairro Parque Jardim Burnier, uma encosta deslizou, cobrindo 12 imóveis com terra. Ao menos quatro mortes foram registradas na localidade, e 17 pessoas estão desaparecidas.
Em Ubá, a precipitação foi de aproximadamente 170 mm em três horas e meia, fazendo com que o rio Ubá transbordasse, provocando inundações em diversos bairros.
O prefeito José Damato Neto (PSD) também declarou calamidade pública. "É a maior enchente da história", afirmou, fazendo apelos ao governador Romeu Zema (Novo) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Zema declarou luto oficial de três dias e garantiu que o estado fará "tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento".
Enquanto isso, em viagem oficial pela Ásia, Lula determinou o envio de equipes federais para auxiliar os municípios da Zona da Mata mineira.
Em seu perfil na rede social X, o presidente destacou que o governo federal já reconheceu o estado de calamidade em Juiz de Fora e que o decreto será publicado no Diário Oficial da União.
"Nas próximas horas – e dias – seguiremos de prontidão para agir com a velocidade e a força que o momento exige", afirmou, enfatizando a importância da assistência humanitária e do restabelecimento dos serviços básicos.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o volume acumulado na Zona da Mata chegou a 209,4 mm, totalizando 589,6 mm em fevereiro.
As previsões indicam a continuidade das instabilidades, com possibilidade de novos acumulados entre 40 e 60 mm em diversas regiões do estado nos próximos dias.
No Rio de Janeiro, uma idosa de 85 anos morreu afogada em São João de Meriti, após ficar presa em casa durante o temporal. A prefeitura informou que cerca de 600 pessoas estão desalojadas e o município decretou situação de emergência.
A Rodovia Presidente Dutra foi interditada por cerca de duas horas devido a alagamentos. Outras cidades da Baixada Fluminense permanecem em alerta, com o Centro de Operações registrando mais de 90 ocorrências de alagamentos e quedas de árvores.
Em São Paulo, a Defesa Civil contabilizou 19 mortes desde o início da Operação Verão, em 1º de dezembro, número superior ao do ano passado.
O maior risco se concentra no litoral, onde o órgão renovou o alerta vermelho para chuvas até sexta-feira (27/2). A previsão é de até 175 mm em média, com volumes mais altos em pontos isolados.
Peruíbe, no litoral sul, foi um dos municípios mais atingidos, com 282 mm de chuva entre sábado (21) e segunda (23), resultando em 213 desalojados.
Deslizamentos bloquearam rodovias no litoral norte, e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu alerta de alto risco para movimentos de massa.
Na capital e região metropolitana, a previsão é de pancadas de chuva com trovoadas, aumentando o potencial para novos alagamentos.
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