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China detalha plano para avançar na corrida tecnológica com Ocidente

China revela plano para avançar na corrida tecnológica com o Ocidente

A China está prestes a divulgar, nesta semana, suas estratégias para impulsionar a próxima fase de sua corrida tecnológica com o Ocidente. O foco está em transformar os recentes avanços em inteligência artificial (IA), exploração espacial e robótica em ganhos industriais substanciais e dinamismo no mercado de capitais.

As diretrizes serão apresentadas na sessão de abertura do Congresso Nacional do Povo (NPC), que ocorrerá na quinta-feira, 5 de outubro. Nesse evento, a liderança chinesa publicará o relatório anual de trabalho do governo, os planos orçamentários e um esboço do 15º Plano Quinquenal para 2026-2030, que delineará as prioridades da política industrial do país.

Esses documentos indicarão quais setores receberão investimento significativo e apoio político. No ano anterior, modelos de IA foram mencionados pela primeira vez, e a chamada “inteligência incorporada” — tecnologia que alimenta robôs humanoides — recebeu destaque.

O NPC acontece poucas semanas antes de uma reunião programada entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que está prevista para 31 de março a 2 de abril. A Reuters aponta que questões relativas a controles de tecnologia e cadeias de suprimentos estarão no centro das discussões.

Esse encontro também marcará um ano desde que desenvolvedores chineses de IA ganharam atenção global por inovações inesperadas, mesmo com as restrições impostas pelos EUA ao acesso a chips avançados e equipamentos de fabricação de semicondutores.

A DeepSeek, uma startup chinesa que agitou o mercado tecnológico no ano passado com seu modelo de IA, provocou uma venda global de ações de tecnologia e alterou a percepção sobre a competitividade da China em relação aos EUA. A expectativa é que ela apresente um modelo de próxima geração nos próximos dias.

“O choque acabou”, declarou Alfredo Montufar-Helu, diretor-gerente da Ankura Consulting em Pequim. “Agora há uma expectativa sobre o que a China pode apresentar em seguida.”

O grande desafio para Pequim é transformar inovações isoladas em ganhos sistemáticos e em larga escala nos setores de manufatura, logística e energia.

Conforme Shujing He, analista sênior da Plenum China, os formuladores de políticas devem promover a estratégia de “IA + manufatura”, utilizando grandes empresas estatais como âncoras e envolvendo startups e fornecedores especializados na implementação.

No entanto, essa abordagem deve remodelar a estrutura industrial da China. Shin Nakamura, presidente da fabricante japonesa Daiwa Steel Tube Industries, observou que o impulso da China em IA tende a beneficiar grandes produtores intensivos em capital, que podem arcar com os custos de implantação, enquanto as pequenas e médias empresas enfrentam desafios estruturais.

“A diferença entre grandes empresas e PMEs na China vai aumentar, e a consolidação será acelerada”, afirmou.

O plano quinquenal também deve reforçar o foco em inteligência incorporada. Recentemente, o país demonstrou seus avanços ao apresentar robôs humanoides fabricados na China durante a Gala do Festival da Primavera da CCTV, o programa de TV mais assistido do país, onde os robôs realizaram danças e artes marciais. Avanços significativos em tecnologia de hardware sustentam a confiança da China no setor de robótica.

Ao detalhar sua nova estratégia industrial, Pequim deve esclarecer como planeja transformar inovações tecnológicas de alto perfil em produção em larga escala e impulso financeiro, diante da crescente competição tecnológica com o Ocidente.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e atualmente atua como redator do Olhar Digital.


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