China declara guerra ao Alzheimer
China intensifica esforços no combate ao Alzheimer
Em 2021, a China registrou 17 milhões de diagnósticos de Alzheimer e demências relacionadas, o que equivale a 9 em cada 1.000 habitantes, segundo um relatório de 2025. As projeções indicam que esse número pode subir para 66 milhões até 2050. Para lidar com essa realidade, o governo chinês implementou programas de financiamento que visam aprimorar a triagem, diagnóstico e tratamento da doença até 2030.
A rápida transformação demográfica do país, com uma população envelhecendo e uma taxa de natalidade em queda, resulta em aproximadamente 30% das pessoas com Alzheimer ou demência no mundo vivendo na China, conforme a revista científica Nature. A diminuição da taxa de fertilidade gera menos adultos em idade produtiva para apoiar os idosos com condições sérias.
Em resposta, as autoridades chinesas lançaram iniciativas para atrair pesquisadores que atuam no exterior, estabelecendo laboratórios e centros de pesquisa em cidades como Wenzhou, Pequim, Xangai e Guangzhou. Cientistas que estudaram fora do país estão retornando para colaborar.
Colin Masters, neuropatologista da Universidade de Melbourne, observa que há um grande número de expatriados voltando a cidades chinesas. Ele destaca que isso representa uma oportunidade crescente para a pesquisa na área.
Aumento no financiamento para pesquisas
Em 2024, a China destinou US$ 91,5 bilhões (aproximadamente R$ 472 bilhões) para pesquisa básica e aplicada. Weihong Song, neurobiologista molecular, afirma que cerca de um bilhão de yuans (cerca de R$ 748 milhões) foram investidos em projetos focados na doença.
John Hardy, neurogeneticista do Instituto de Pesquisa de Demência do Reino Unido, acredita que a China pode se tornar um líder nessa área de pesquisa.
Novo laboratório em Wenzhou
Weihong Song, que anteriormente liderava um laboratório na Universidade da Colúmbia Britânica, agora dirige um laboratório de pesquisa sobre Alzheimer na Universidade Médica de Wenzhou. O Oujiang Lab, que se concentra em medicina regenerativa e saúde cerebral, conta com mais de 800 cientistas e recebeu US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,2 bilhões) em financiamento do governo local.
Os pesquisadores buscam desenvolver medicamentos a partir da medicina tradicional chinesa e identificar marcadores biológicos para a detecção precoce da doença.
Crescimento dos ensaios clínicos
Em 2021, a China registrou nove ensaios clínicos para tratamentos do Alzheimer, número que saltou para 107 em 2024. O neuroquímico Keqiang Ye está desenvolvendo um medicamento chamado BrAD-R13, que imita uma proteína essencial para a comunicação neuronal e pode reduzir a formação de placas amiloides e emaranhados neurofibrilares.
Os testes de segurança do BrAD-R13 foram concluídos em setembro de 2024, com planos para ensaios nos EUA e na China.
Composto derivado de aipo chinês
Outro candidato promissor é um medicamento à base de DI-3-n-butilftalida (NBP), extraído de aipo chinês. Estudos pré-clínicos demonstraram que o NBP aumenta os níveis de BDNF e melhora a função cognitiva em modelos animais. Em um ensaio com 270 pessoas, o NBP mostrou reduzir a gravidade dos sintomas associados à demência de Alzheimer.
Além disso, o NBP foi testado em combinação com outros medicamentos, incluindo donepezila e memantina, e com um coquetel de ervas tradicionais chinesas.
Inovações em procedimentos cirúrgicos
Xie Qingping, microcirurgião, desenvolveu um procedimento chamado anastomose linfático-venosa (LVA) para tratar Alzheimer, conectando vasos linfáticos a veias para drenar fluidos. Este método está sendo testado na China e em outros locais.
Por outro lado, Zhenhu Ren desenvolveu um procedimento experimental chamado CSULS, que alivia a pressão em vasos linfáticos no pescoço. Benefícios iniciais incluem melhorias na função cognitiva.
Contudo, a Comissão Nacional de Saúde da China proibiu o uso do procedimento LVA para Alzheimer em julho de 2025, reconhecendo a necessidade de regulamentação adequada.
A luta contra o Alzheimer na China está se intensificando, com investimentos significativos e inovações em pesquisa e tratamento.
← Voltar para as notícias