Chefão do esquema de golpes em bancos, telefônicas e indígenas, advogado de MS é preso no Piauí
Márcio Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, é um traficante condenado a mais de 40 anos por crimes relacionados ao tráfico de drogas e homicídio, além de ser o líder do Comando Vermelho. Em uma carta dirigida ao seu advogado, ele pediu que seu filho, o rapper Oruam, seja preso para "pagar pelo que fez".
Oruam enfrenta acusações de tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação em junho do ano passado e está foragido há mais de 20 dias após a revogação de seu habeas corpus e o restabelecimento da prisão preventiva. Ele estava em liberdade sob monitoramento eletrônico, mas a tornozeleira foi desligada em 2 de fevereiro.
Na última segunda-feira, ele enviou à Justiça um receituário médico alegando ter sido diagnosticado com "transtorno de ansiedade" e "depressão moderada", usando isso como justificativa para não retornar ao sistema prisional.
O rapper já havia manifestado publicamente seu desejo pela liberdade do pai, com uma das aparições mais polêmicas ocorrendo no Lollapalooza 2024, onde fez um protesto usando uma camiseta com o pedido de liberdade para Marcinho VP.
Por outro lado, Marcinho VP, atualmente detido na Penitenciária Federal de Campo Grande, reconhece que o filho errou e deve arcar com as consequências de seus atos. Em sua carta, ele expressa tristeza pela situação do filho, ressaltando que Oruam também teve sua parcela de responsabilidade.
Ele afirmou: "Como pai, lamento muito por tudo que ele está passando, porém, ele também não vigiou. Mesmo assim, ele deve pagar apenas pelo que fez de verdade, e não por acusações levianas."
Marcinho também menciona que a acusação leviana se refere a drogas encontradas com Oruam após a agressão aos policiais. "É evidente que meu filho errou, e não abono sua conduta. Contudo, não é justo atribuírem a ele coisas que não fez", destacou.
Em outro trecho, ele recorda que Oruam cresceu em um ambiente de fé e era um menino bom e respeitador, mas que o sucesso o afastou de seus princípios. Apesar de reconhecer a necessidade de Oruam enfrentar as consequências de seus atos, Marcinho VP defende que o filho não é um bandido e que sairá da prisão "melhor do que entrou".
Marcinho também critica a possibilidade de que Oruam enfrente a mesma situação que ele enfrentou aos 20 anos, quando foi acusado de vários crimes. "Não aceito que queiram fazer com ele o que fizeram comigo. Meu filho não é um bandido, mas sim um artista talentoso", afirmou.
Marcinho VP continua a escrever cartas de dentro do presídio e discute diversos temas com seu advogado, o ex-desembargador Siro Darlan. Todas as correspondências enviadas e recebidas por presos são previamente monitoradas para evitar a transmissão de ordens criminosas.
Em sua carta, destaca a importância de se manter a justiça e a verdade, mencionando passagens bíblicas que refletem sua fé e esperança em um futuro melhor para seu filho.
Com uma trajetória criminal que se estende por quase três décadas, Marcinho VP é um dos principais nomes da criminalidade no Rio de Janeiro e, desde 1996, está preso. Apesar da detenção, ele continua a influenciar o mundo do crime, ordenando atividades de dentro do presídio.
Em novembro de 2024, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu pela renovação da permanência de Marcinho VP no sistema penitenciário federal, com base na necessidade de evitar articulações criminosas. A decisão destacou o histórico de transgressões do líder do Comando Vermelho como justificativa para a sua permanência.
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