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Césio-137: relembre o caso do maior acidente radioativo do Brasil em 1987

Césio-137 e o Acidente de Goiânia

O lançamento do trailer da série "Emergência Radioativa", nova produção da Netflix que aborda o acidente com o Césio-137, trouxe novamente à tona um dos episódios mais sérios da história do Brasil.

Em 1987, na cidade de Goiânia, ocorreu o que é considerado o maior acidente radiológico fora de uma usina nuclear.

O incidente começou em setembro de 1987, quando dois catadores de materiais recicláveis, Roberto dos Santos e Wagner Mota, encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas de uma antiga clínica. Dentro desse equipamento, havia uma cápsula com o material radioativo Césio‑137. Sem conhecimento do risco, os homens levaram o dispositivo a um ferro-velho.

Ao abrirem o aparelho, descobriram um pó azul brilhante, que logo atraiu a atenção pela sua aparência luminosa. O material foi manuseado e distribuído entre familiares, amigos e vizinhos, resultando em uma rápida expansão da contaminação.

Nos dias seguintes, várias pessoas começaram a apresentar sintomas como náuseas, vômitos, queimaduras na pele e fraqueza intensa. Inicialmente, esses sinais foram confundidos com doenças comuns, o que dificultou a identificação da radiação. Assim que as autoridades reconheceram a gravidade da situação, equipes especializadas iniciaram uma operação de emergência para conter a contaminação.

Casas foram isoladas, objetos pessoais destruídos e áreas inteiras da cidade passaram por processos de descontaminação.

Mais de 100 mil pessoas foram avaliadas quanto à possível exposição à radiação. Quatro indivíduos faleceram devido à contaminação direta e centenas experimentaram diferentes níveis de exposição ao material radioativo.

Trinta anos após o desastre, os moradores de Goiânia ainda enfrentam as consequências. Durante anos, lidaram com estigmas, medo e desinformação.

Cerca de 1.141 sobreviventes continuam a sofrer efeitos físicos e psicológicos do incidente, recebendo acompanhamento do Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara), vinculado à Secretaria de Saúde de Goiás.

O caso se tornou uma referência internacional em estudos sobre acidentes radiológicos e falhas na gestão de materiais nucleares, impulsionando mudanças nas normas de controle e descarte de equipamentos que utilizam substâncias radioativas.


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