Cerca de 6,5 milhões de pessoas enfrentam fome aguda na Somália, diz ONU
Crise Alimentar na Somália: 6,5 Milhões em Situação de Fome Aguda
Cerca de 6,5 milhões de pessoas estão enfrentando fome aguda devido à seca na Somália, de acordo com um comunicado do governo e da ONU nesta terça-feira, 24.
O alerta surge poucos dias após a agência de alimentos da ONU indicar que a ajuda poderia ser interrompida em abril caso novos fundos não fossem encontrados.
A Somália declarou estado de emergência nacional por seca em novembro, após anos de chuvas insuficientes. Outros países da região também estão sofrendo os efeitos da crise.
Mais de um terço das pessoas afetadas pela desnutrição aguda são crianças, conforme relatado em um comunicado conjunto do governo somali e da ONU.
A situação crítica levou dezenas de milhares a abandonarem suas casas, com muitas pessoas se aglomerando em campos em Mogadíscio e em outras cidades.
George Conway, coordenador humanitário da ONU para a Somália, destacou que "a seca... se agravou alarmantemente, com o aumento vertiginoso dos preços da água, suprimentos alimentares limitados, morte de animais e muito pouco financiamento humanitário".
Hawo Abdi compartilhou que perdeu dois filhos para doenças após a seca devastar sua terra natal na região da Baía. "Quando vi que o sofrimento estava piorando, fugi de casa e vim para... Mogadíscio", contou ela à Reuters, enquanto estava em seu abrigo nos arredores da capital.
Na semana passada, o Programa Mundial de Alimentos da ONU estimou que 4,4 milhões de pessoas estão em situação de fome aguda e já reduziu sua assistência para pouco mais de 600 mil pessoas, comparado a 2,2 milhões no início do ano.
Não está claro se o novo número representa um aumento significativo no total de pessoas em risco ou se reflete diferentes métodos de contagem.
Os dados do governo e da ONU coincidem com as informações divulgadas pelo IPC (Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar), que estabelece padrões globais para avaliar a gravidade das crises alimentares.
Embora as chuvas entre abril e junho possam oferecer algum alívio, cerca de 5,5 milhões de pessoas devem continuar em situação de crise ou pior, com 1,6 milhão em situação de emergência, segundo o comunicado.
Abdiyo Ali foi forçada a abandonar sua fazenda na região de Lower Shabelle. "Nossas plantações foram destruídas, nosso gado morreu e as fontes de água ficaram muito distantes. Não temos mais nada para levar conosco", relatou Ali à Reuters na semana passada, enquanto preparava sua comida em um campo de deslocados nos arredores de Mogadíscio.
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