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Celso Amorim sobre conflito no Oriente Médio: Essa guerra não vai ser um passeio

Celso Amorim analisa conflito no Oriente Médio

02/03/2026 22h21

Atualizado 18 minutos atrás

O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacou em uma palestra na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que o conflito no Oriente Médio “não vai ser um passeio”. Ele se referiu à ação militar coordenada entre Estados Unidos e Israel, que resultou na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e afirmou que a situação pode ter consequências mais abrangentes do que a invasão americana no Iraque em 2003, quando Saddam Hussein foi capturado.

“É difícil medir quais serão as consequências desse ataque, mas uma coisa é certa: essa guerra não vai ser um passeio. Não será uma guerra como a invasão do Iraque”, afirmou Amorim.

Fernando Haddad, ministro da Fazenda, também comentou sobre o impacto do conflito, ressaltando que ele poderá influenciar muitos aspectos, mas assegurou que a economia brasileira permanece em boa situação, com uma pauta de exportação superavitária.

O embaixador expressou preocupação com o atual cenário global, afirmando que, em seus 60 anos de diplomacia, nunca viu um momento de tensão tão elevado. Ele fez uma comparação com a Crise dos Mísseis em Cuba, na década de 1960, quando a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial se aproximava. Naquela época, segundo ele, havia líderes que dialogavam.

“Quando a União Soviética colocou mísseis em Cuba, foram dias de grande aflição, mas havia diálogo e foi possível encontrar uma solução, que não foi ideal para ninguém, mas acalmou o mundo”, comentou Amorim.

O assessor especial de Lula acredita que é difícil imaginar uma resolução rápida para o conflito. Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, o presidente Donald Trump mencionou que a ação militar poderia durar cerca de quatro semanas.

Ao abordar a morte de Khamenei, Amorim destacou que é a primeira vez que os Estados Unidos estão envolvidos na morte de um líder de um país logo no início de um conflito. Ele alertou que a geopolítica pode estar caminhando para um cenário de “caos”, onde não existem regras.

“O que estamos assistindo hoje é uma involução do cosmo para o caos. De um mundo com regras, ainda que defeituosas e assimétricas, para um mundo absolutamente sem regras”, concluiu o assessor especial da Presidência.


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