Cássio atribui, 17 anos depois, cassação à influência de desembargadora e empresário
Cássio atribui cassação a influência de desembargadora e empresário
Cassado do cargo de governador da Paraíba em 2009, o ex-governador e ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB) afirmou, em entrevista ao podcast Fez História, Agora Conta!, que a decisão que resultou na perda do mandato foi influenciada pela desembargadora Fátima Bezerra, viúva do ex-governador José Maranhão, e pelo empresário Roberto Cavalcanti, que era suplente de Maranhão no Senado na época.
“Respeito a memória do ex-governador e ex-senador Maranhão. Ele estava fazendo o papel dele, casado com uma desembargadora, veja o grau de influência, né? É óbvio que a esposa dele procuraria defender os interesses políticos do marido”, declarou Cássio.
O ex-governador também mencionou Roberto Cavalcanti, proprietário do Sistema Correio de Comunicação, que era o primeiro suplente de Maranhão.
“Por trás de Maranhão, na primeira suplência, ninguém menos que Roberto Cavalcanti, dono de um dos maiores sistemas de comunicação da Paraíba. Arrumaram uma cassação para mim. Foi lá e arrumaram um jeito de tirar do governo que a gente tinha que colocar Maranhão para Roberto assumir. E assim foi feito”, afirmou.
Com a cassação, José Maranhão assumiu o governo do estado, abrindo uma vaga no Senado, que foi posteriormente ocupada por Roberto Cavalcanti.
Cássio declarou não guardar ressentimentos, mas revelou ter perdido a confiança no Judiciário. “Mágoa, ressentimento, nenhum. Até agradeço ter acontecido, serve de experiência. Agora deixei de acreditar. Não acredito mais”, disse.
Ele também avaliou que teria adotado uma estratégia diferente no processo. “Fui muito institucional, fui ingênuo. Meus advogados disseram que podíamos retardar o julgamento. Eu disse: ‘Não, deixa julgar, eu não devo’. O maior erro da minha vida”, afirmou, acrescentando que, em retrospectiva, teria prolongado a tramitação do caso.
O ex-governador teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) e confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a acusação de ter distribuído 35 mil cheques a cidadãos carentes durante a campanha eleitoral de 2006, por meio de um programa assistencial da Fundação Ação Comunitária (FAC), vinculada ao governo estadual. Segundo a denúncia, os cheques totalizavam cerca de R$ 4 milhões.
“Eu tive dois processos de cassação, um deles, eu perdi o mandato de governador porque Geovanni Carvalho, um jornalista, escreveu um artigo elogiando alguns atos do governo no jornal A União. O TRE e o TSE cassaram o mandato de um governador por conta de um artigo publicado no jornal. Queriam cassar”, declarou.
“A outra razão era um programa social que sempre existiu no governo, onde, por ironia do destino, o pai do relator do processo tinha sido contemplado com esse programa, que adoeceu e o estado bancou o tratamento de saúde dele e várias pessoas que eram atendidas por esse programa. E aí fui cassado por atender pessoas pobres, pessoas que tinham carências e necessidades na área de saúde. Isso, perdi o mandato por isso. O mandato legítimo, onde fui eleito pela vontade da maioria do povo paraibano. E hoje a gente vê o que está acontecendo. O que acontece com decisões da justiça que são absolutamente enviesadas politicamente”, completou.
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