Caso Master: presidente da CVM admite limitações para fiscalizar banco
Presidente da CVM reconhece dificuldades na fiscalização do Banco Master
Da Agência Senado | 24/02/2026, 16h05
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) identificou movimentações suspeitas no Banco Master desde 2022, mas a falta de pessoal e orçamento impediu a conclusão de muitos processos de apuração. Essa informação foi compartilhada pelo presidente interino da CVM, João Carlos Uzeda Accioly, durante uma audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Ele foi questionado por senadores sobre eventuais falhas e lentidão na atuação da CVM, responsável pela fiscalização do mercado de capitais.
Accioly explicou que, apesar de a CVM ter iniciado diversos processos, a capacidade máxima da equipe é um fator limitante. Ele destacou que a instituição enfrenta um acúmulo de processos devido à falta de recursos humanos e tecnológicos.
A atuação preventiva da CVM também foi abordada. O presidente interino esclareceu que a comissão monitora ativamente pequenos fundos de investimento, mas depende de denúncias para investigar grandes empresas. Ele mencionou que, no caso do empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, não houve denúncias porque o próprio banco se beneficiava do esquema. Accioly afirmou que o banco manipulou seus balanços para inflar os ativos dos fundos em que investia, promovendo uma falsidade contábil.
Accioly informou que há pelo menos 200 processos em análise na CVM que podem resultar em punições ao Banco Master e outras instituições por possíveis fraudes. Desses, 24 estão relacionados diretamente ao Master, ao Banco Regional de Brasília (BRB) e à gestora Reag.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) criticou a lentidão da CVM nas análises e sugeriu que os procedimentos de investigação precisem ser revistos, questionando onde ocorreram os erros que levaram à fraude.
O presidente interino indicou que mais servidores e o uso de tecnologia avançada poderiam acelerar as análises e identificar irregularidades nos 30 mil fundos sob fiscalização. Ele também mencionou que o orçamento discricionário da CVM foi reduzido em 70% desde 2015, o que dificulta a melhoria da estrutura da instituição.
Atualmente, a CVM possui três dos cinco cargos de sua diretoria vagos, o que afeta a realização de julgamentos e outras funções de gestão.
O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou que o grupo de trabalho que acompanha as investigações do Banco Master se reunirá com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que relatará o processo sobre as fraudes.
Renan também destacou que a CAE deve decidir sobre a forma como ouvirá Vorcaro, que se ofereceu para depor presencialmente ou por videoconferência.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) expressou indignação em relação às ações do banco, afirmando que a CVM demonstrou omissão. Ele ressaltou que a situação prejudicou não apenas o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mas milhões de investidores.
O FGC cobriu cerca de R$ 50 bilhões, mas entre R$ 10 bilhões e R$ 11 bilhões ficaram de fora, conforme informado durante a audiência.
O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) questionou a repercussão que o caso teve, observando que o Banco Master detinha menos de 1% dos ativos do sistema financeiro.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) criticou a CVM, perguntando como a compra do Banco Master pelo BRB não foi impedida.
Para evitar novos problemas, foi sugerida a exigência de transparência total sobre a identidade dos cotistas de fundos de investimento, além de uma integração tecnológica mais robusta entre a CVM e o Banco Central.
Accioly também propôs a criação de um programa de proteção a informantes para incentivar denúncias de fraudes no mercado.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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