Caso Master: Imóvel ofertado por Ibaneis para capitalizar BRB enfrenta impasses jurídico e político
Impasses na Capitalização do BRB Envolvem o Centrad
O diretor do Banco Central, Ailton de Aquino, revelou que as perdas do Banco de Brasília (BRB) com a operação do Banco Master podem ultrapassar R$ 5 bilhões. Durante sua análise, foram detectados problemas nos ativos que o Master repassou ao banco estatal.
A utilização do conjunto de prédios que compõem o Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad) no plano de capitalização do BRB enfrenta desafios jurídicos e políticos. Um parecer da Procuradoria-Geral do DF, acessado pelo Estadão, destaca que a implementação desse plano requer a aprovação da Câmara Legislativa, a demonstração do interesse público, uma avaliação independente do imóvel e a conformidade com a legislação aplicável às empresas com acionistas, como o BRB.
Além disso, há resistência tanto de aliados quanto da oposição ao governador Ibaneis Rocha (MDB) em relação à venda do imóvel, que foi projetado para ser a sede do governo distrital, especialmente em um ano eleitoral.
A Terracap, responsável pela gestão do patrimônio público de Brasília, informou que o governo do DF estruturou garantias para a capitalização do BRB, mas não comentou sobre as dificuldades relacionadas ao Centrad. Tanto o governo Ibaneis quanto o BRB não se pronunciaram sobre o assunto.
O governo distrital decidiu encaminhar um projeto à Câmara para injetar recursos no BRB após o déficit gerado pelo Banco Master. Nesse projeto, foram oferecidos 12 imóveis para venda, transferência ao BRB ou como garantia em um empréstimo, com o intuito de levantar os fundos necessários, que ainda não foram estimados.
A medida foi tomada após alertas do Banco Central, que pode impor restrições ao BRB caso os aportes não sejam realizados até 31 de março.
Um dos principais imóveis oferecidos é o Centrad, que possui uma área de 182 mil metros quadrados em Taguatinga Norte, com 16 edifícios projetados como sede do governo distrital. Inaugurado em 2014, o complexo nunca foi utilizado.
O governo investiu cerca de R$ 1 bilhão na obra, realizada em colaboração com um consórcio formado pela Via Engenharia e a Odebrecht. Em 2022, Ibaneis rescindiu o contrato com o consórcio e retomou a posse do imóvel, mas o processo ainda está em trâmite judicial.
O consórcio reivindica o pagamento de repasses atrasados e indenização por prejuízos, enquanto a Caixa cobra a quitação de um financiamento concedido ao consórcio para a execução da obra.
Em 2022, a Terracap avaliou o Centrad em R$ 600 milhões, mas o governo estima que seriam necessários mais R$ 1 bilhão em reformas para viabilizar o uso do espaço.
Em dezembro de 2025, no contexto da crise do Banco Master, Ibaneis tentou apresentar um projeto para usar o Centrad na capitalização do BRB, mas a proposta foi rejeitada pelos deputados.
A Procuradoria-Geral do DF emitiu um parecer afirmando que é juridicamente viável a utilização do Centrad para a integralização de capital social do BRB, desde que observados determinados requisitos, como a autorização da Câmara Legislativa e a avaliação formal do imóvel.
Técnicos do governo ressaltaram que, administrativamente, o uso do imóvel deve ser deliberado pela Unidade de Governança do Patrimônio Imobiliário e pela Coordenação-Geral de Patrimônio do Executivo distrital.
Ibaneis criticou o projeto do ex-governador José Roberto Arruda, mas tanto aliados quanto opositores resistem à venda do Centrad ou à utilização do imóvel como garantia. A vice-governadora Celina Leão (PP), pré-candidata à sucessão de Ibaneis, é uma das políticas que manifestaram interesse na recuperação do complexo.
O presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), indicou que há uma resistência significativa na Casa para a autorização da alienação do Centrad, citando a complexidade da situação envolvendo a propriedade do imóvel.
Outro ativo controverso incluído na proposta são duas áreas do Parque do Guará, que estão sob forte interesse do mercado imobiliário.
Os deputados se reunirão em breve para discutir o projeto, e a oposição criticou as escolhas de imóveis feitas por Ibaneis, considerando inaceitável oferecer ativos que não estão sob domínio completo do governo.
O BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos problemáticos do Banco Master, segundo investigações do Banco Central e da Polícia Federal. O banco estatal agora precisa cobrir esse déficit, que pode chegar a R$ 9 bilhões.
Após o encaminhamento do projeto, o BRB enfatizou que o objetivo é garantir a robustez financeira do banco e a continuidade dos serviços prestados à população.
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