Caso Marielle: Traficantes ocupam região que ex-PM diz que receberia pelo assassinato da vereadora
Traficantes Dominam Área Relacionada ao Assassinato de Marielle Franco
A região em questão foi identificada pelo ex-sargento da Polícia Militar Ronnie Lessa, executor confesso de Marielle Franco (PSOL) e Anderson Gomes, como o local prometido na encomenda do homicídio da vereadora.
Em 23 de fevereiro de 2026, Lessa revelou que a área, que era objeto de exploração por milícias, se tornou uma zona dominada pelo tráfico. Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, acusados de serem os mandantes do crime, têm suas atividades ligadas a conflitos sobre urbanização e controle de milícias. Anteriormente desvalorizadas, essas terras estavam previstas para um projeto de loteamento que visava lucrar com a venda de lotes.
Recentemente, a Estrada Comandante Luís Souto, que liga o Tanque à Praça Seca na Zona Sudoeste, sofreu danos significativos devido às chuvas, revelando crateras que expuseram objetos inusitados, como um sofá. O acesso à área, dominada pelo Comando Vermelho (CV), é restrito. Lessa declarou que o local seria a "terra prometida" em troca do assassinato de Marielle. O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento de cinco suspeitos do crime, enquanto Lessa e Élcio de Queiroz já foram condenados.
Durante sua colaboração premiada, Lessa implicou os irmãos Brazão, afirmando que o acordo envolvia a exploração de serviços na região, permitindo a formação de uma milícia própria. Na época das tratativas, a Grande Jacarepaguá estava sob controle miliciano, mas atualmente, o tráfico domina o território.
A comunidade Comandante Luís Souto, onde os Brazão mantêm um haras, era um reduto eleitoral influente. Moradores relatam que o local, antes vibrante, agora encontra-se abandonado e tomado pelo mato, sem que ninguém se atreva a invadi-lo.
A defesa de Chiquinho argumenta que o imóvel pertence à ex-mulher do réu e que o haras está fora de operação desde 1999. O advogado também aponta que os terrenos citados na delação de Lessa estão em área de proteção ambiental, questionando a viabilidade do projeto.
No julgamento, além dos irmãos Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa será acusado como mentor intelectual do crime, e o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira também enfrenta acusações por monitorar a vereadora. Outros réus incluem o ex-assessor de Domingos, Robson Calixto da Fonseca, que teria fornecido a arma do crime.
Lessa, em sua delação, mencionou que o acordo com a família Brazão, na região de Jacarepaguá, era mais lucrativo que suas operações anteriores em Rocha Miranda, permitindo a exploração de serviços típicos de milícias. O ex-PM detalhou um plano para dividir um terreno de 31,2 hectares em loteamentos, estimando um lucro de cerca de R$ 100 milhões.
Atualmente, a situação na área é de desvalorização, com muitos terrenos ocupados irregularmente. Um morador anônimo relata que propriedades foram tomadas pelo tráfico, e os vestígios de um antigo haras se misturam ao abandono e à deterioração.
O colaborador escreveu, antes de formalizar seu acordo, uma série de anotações que detalhavam suas conexões com os irmãos Brazão e outros envolvidos, sublinhando a antiga relação entre eles.
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