Caso Marielle: STF julga irmãos Brazão e mais três acusados; CV controla região que seria pagamento pelo crime
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O crime em Itumbiara e a sociedade afetada pelo machismo é abordado em um artigo de Nina Lemos.
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Ronnie Lessa, ex-PM, mencionou a área da família Brazão como parte da recompensa pelo assassinato da vereadora, referindo-se a ela como "Terra Prometida".
A reportagem de Gustavo Kaye, publicada em Agenda do Poder em 23/02/2026, revela que a região de Jacarepaguá, citada por Lessa como parte do acordo para assassinar Marielle Franco, agora está sob domínio do Comando Vermelho (CV). Lessa, condenado como executor do crime, declarou em delação que receberia terras e direitos de exploração no local em pagamento pelo assassinato, ocorrido em 2018.
Nesta terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento de mais cinco acusados de envolvimento no crime. Lessa e Élcio de Queiroz já foram condenados pelos assassinatos de Marielle e do motorista Anderson Gomes.
No banco dos réus, além dos irmãos Brazão, estará o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, considerado o "mentor intelectual" do crime. O major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, ex-chefe da milícia da Muzema, também enfrenta acusações de homicídio e tentativa de homicídio, por ter monitorado a vereadora. O ex-assessor Robson Calixto da Fonseca, conhecido como Peixe, é acusado de associação criminosa junto aos irmãos. De acordo com o acordo com a Justiça, Robson forneceu a arma do crime e Ronald monitorou a vítima. Todos os cinco estão detidos.
A delação de Lessa aponta os irmãos Brazão como mandantes do crime. Ele os acusou de serem responsáveis, afirmando que a recompensa pelo homicídio seria a posse e exploração de uma área de 31,2 hectares na Estrada Comandante Luís Souto, entre o Tanque e a Praça Seca, conhecida como "Terra Prometida".
Na época das negociações, a área era dominada por milicianos, mas atualmente, após disputas territoriais, está sob controle do tráfico, que explora serviços clandestinos.
O antigo haras da família Brazão, localizado no centro da área mencionada, encontra-se abandonado e tomado pelo mato. Estábulos estão desativados e construções estão em ruínas. Apesar do domínio do CV, o espaço continua preservado.
A defesa de Chiquinho argumenta que o imóvel pertence à ex-mulher do réu e está desativado desde 1999, além de afirmar que os terrenos estão em área de proteção ambiental, o que questiona a viabilidade do loteamento mencionado na delação.
De acordo com Lessa, havia um plano para dividir a área em dois loteamentos, chamados Nova Medellín 1 e 2, com cerca de mil lotes. A divisão seria feita entre os irmãos Brazão e ele, juntamente com o PM Edmilson Oliveira da Silva, conhecido como Macalé, que foi considerado o intermediário do crime e morreu em 2021.
A expectativa de lucro com o projeto era de cerca de R$ 100 milhões, além da exploração de serviços como internet, TV a cabo, transporte alternativo e fornecimento de água, um modelo típico de atuação de milícias.
Uma testemunha, viúva de um criador de passarinhos, confirmou que Lessa, Macalé e os irmãos Brazão se encontravam regularmente em um sítio em Jacarepaguá no final da década de 1990, um ambiente que reunia criadores de aves e promovia encontros sociais.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, a motivação do crime está relacionada ao embate político entre Chiquinho Brazão e Marielle durante a tramitação de um projeto que flexibilizava regras urbanísticas e regularizava loteamentos, com a vereadora se posicionando contra a proposta.
O julgamento acontece oito anos após o atentado que resultou na morte de Marielle e Anderson Gomes, sendo que todos os acusados negam envolvimento no crime.
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