Caso Marielle: Quem é Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ acusado de ser um dos mandantes do crime
Domingos Brazão: Conselheiro do TCE-RJ e Acusações no Caso Marielle
Domingos Brazão, conselheiro afastado do TCE-RJ, enfrenta um julgamento no STF sob a suspeita de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco. Conhecido por sua influência na política do Rio de Janeiro, sua trajetória é marcada por várias denúncias de corrupção. A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que ele e seu irmão, Chiquinho Brazão, estavam envolvidos em práticas ilegais relacionadas à grilagem de terras, buscando regularizar um condomínio em Jacarepaguá.
Brazão, que possui uma carreira política que se estende por mais de trinta anos, é conhecido por suas atividades controversas, incluindo acusações de fraude e homicídio. Ele e Chiquinho foram mencionados na delação do ex-PM Ronnie Lessa, que confessou ter participado do crime.
A motivação para o assassinato, segundo a PGR, estaria ligada ao envolvimento dos irmãos com milícias. Eles seriam, de acordo com as denúncias, defensores dos interesses dessas organizações junto às instituições governamentais. O julgamento no STF está previsto para começar nesta terça-feira, com a Primeira Turma analisando a participação dos réus no crime.
Domingos Brazão, atualmente com 60 anos, iniciou sua carreira política no início dos anos 1990 como assessor na Câmara Municipal. Em 1997, foi eleito vereador e, na sequência, deputado estadual, cargo que ocupou por 17 anos até se tornar conselheiro do TCE-RJ. Seu afastamento ocorreu em 2017, durante a operação Quinto do Ouro, que investigou corrupção no tribunal.
Atualmente, ele está preso preventivamente no Presídio Federal de Porto Velho. Sua defesa alegou, no final do ano passado, que ele estava enfrentando condições adversas que afetavam sua saúde.
Em 2011, Brazão teve um episódio notável quando seu mandato de deputado estadual foi cassado por suposta compra de votos, embora tenha conseguido reverter a decisão no TSE. Anteriormente, em 2004, uma gravação o implicou em um esquema de licenças ambientais relacionadas à máfia dos combustíveis.
O caso de Marielle Franco, que foi assassinada em um atentado em 14 de março de 2018, continua a ser um marco nas discussões sobre corrupção e violência política no Brasil. A vereadora, conhecida por sua luta em defesa dos direitos humanos, tornou-se um símbolo de resistência e justiça.
As primeiras menções à ligação da família Brazão com o caso surgiram em 2019, quando um relatório da Polícia Federal identificou Domingos como o “principal suspeito” do assassinato. Apesar das acusações, ele sempre negou envolvimento, e seu nome voltou à tona com nova delação de Élcio de Queiroz, também implicado no crime.
O julgamento promete revelar mais detalhes sobre as complexidades do caso e as possíveis conexões entre política, milícias e corrupção no estado do Rio de Janeiro.
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