Rivaldo Barbosa

Caso Marielle: MPF denuncia Rivaldo Barbosa e Giniton Lages por obstrução de justiça

MPF denuncia Rivaldo Barbosa e Giniton Lages por obstrução de justiça

13/02/2026 20h12

Atualizado 1 semana atrás

O delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, está novamente no foco das investigações às vésperas do seu julgamento pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Ele foi denunciado pela segunda vez pelo Ministério Público Federal (MPF), agora enfrentando acusações de integrar uma associação criminosa e de obstruir a apuração do caso.

Juntamente com Rivaldo, o MPF também denunciou o delegado Giniton Lages e o comissário de polícia Marco Antonio Pinto Barros. Os três estão sendo acusados de associação criminosa e obstrução de justiça na investigação do duplo homicídio e da tentativa de homicídio da assessora de Marielle, Fernanda Chaves. O crime completará oito anos no dia 14 do próximo mês.

Essa nova denúncia é a segunda apresentada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand. A primeira focou nos supostos mandantes do crime, incluindo Rivaldo, apontado como mentor intelectual do homicídio, e os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. Também foram denunciados o policial militar Robson Calixto da Fonseca, conhecido como Peixe, e o major Ronald Paulo Alves Pereira, ex-chefe da milícia da Muzema. O julgamento dos cinco será iniciado após o carnaval, no dia 24, no STF.

A nova acusação contra Rivaldo, Giniton e Marco Antonio é baseada nas investigações do Inquérito 4.954, que determinou o desmembramento do caso para que as apurações sobre associação criminosa e obstrução de justiça continuem.

Conforme a denúncia, os dois delegados e o comissário, junto a outros policiais e indivíduos não especificados, formaram uma associação criminosa no estado do Rio para garantir a impunidade em homicídios cometidos por organizações criminosas, obstruindo as investigações.

O MPF afirma que o grupo tinha controle direto ou indireto sobre as investigações relacionadas a crimes de milicianos, especialmente em disputas territoriais e na exploração de mercados ilícitos, como jogos ilegais.

A denúncia ressalta que a organização atuava de maneira sistemática, com a ocultação de provas, avocação de inquéritos por delegados não pertencentes ao grupo, falhas na preservação de provas, incriminação de inocentes, utilização de testemunhos falsos e realização de diligências sem efetividade.

De acordo com o MPF, a organização criminosa na Polícia Civil do Rio, liderada por Rivaldo Barbosa, explorou um contexto de "mercantilização de homicídios" no estado.

O documento destaca que, enquanto diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, antes de se tornar chefe da corporação, Rivaldo teria se comprometido a garantir a impunidade aos executores do assassinato de Marielle.

O vice-procurador-geral da República solicita, além da condenação por associação criminosa e obstrução de justiça, a manutenção das medidas cautelares, a perda dos cargos públicos dos denunciados e o pagamento de indenização por dano moral coletivo, em razão da deficiência estrutural que a associação criminosa impôs ao sistema investigativo do estado no combate a homicídios por organizações criminosas.


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