Rivaldo Barbosa

Caso Marielle: defesa de Rivaldo Barbosa questiona delação de Ronnie Lessa

O advogado Felipe Dalleprane, que defende o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, contestou a credibilidade da delação do ex-policial militar Ronnie Lessa sobre a suposta participação de seu cliente no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol), ocorrido em 2018. Durante o julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (24/2), o defensor argumentou que não há evidências que sustentem as afirmações do confesso assassino.

Dalleprane destacou que não existem acusações concretas contra Rivaldo Barbosa. Ele mencionou a atuação de diversos órgãos, incluindo a Polícia Civil, o Ministério Público do Rio e a Polícia Federal, ressaltando que, apesar de várias operações, não surgiu nenhuma denúncia de corrupção envolvendo seu cliente.

O advogado enfatizou que, segundo a legislação, um delator deve apresentar provas que respaldem suas alegações. No caso, ele afirmou que Ronnie Lessa não trouxe elementos que comprovem suas declarações, que, segundo Dalleprane, se limitam a retórica.

A emboscada que resultou na morte de Marielle Franco ocorreu ao sair de um evento na Casa das Pretas, no Estácio, em março de 2018. A vereadora foi alvejada com quatro tiros, enquanto Anderson Gomes, seu motorista, levou três tiros nas costas. Fernanda Chaves, a única sobrevivente, foi atingida por estilhaços.

Em outubro do ano passado, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, que confessaram o crime, foram condenados a penas de 78 anos e 9 meses e 59 anos e 8 meses, respectivamente, por duplo homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e receptação.

Na mesma sessão, a Primeira Turma do STF deu início ao julgamento da ação penal contra os acusados de ordenar a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes. A PGR solicita a condenação de cinco réus: os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Paulo de Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca. Todos estão em prisão preventiva e enfrentam acusações de homicídio qualificado e tentativa de homicídio.

Durante o julgamento, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, afirmou que os irmãos Brazão lideravam uma organização criminosa associada a milícias e grilagem de terras no Rio de Janeiro. Além das condenações, ele pleiteou indenizações por danos morais às famílias das vítimas.


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