Careca do INSS Careca do INSS tentou emplacar contratos milionários na ... - G1

Careca do INSS tentou emplacar contratos milionários na ... - G1

Tentativa de Contratos Milionários com o Ministério da Saúde

Um lobista conhecido como Careca do INSS, identificado como Antônio Antunes, tentou, sem êxito, firmar três contratos significativos com o Ministério da Saúde.

A Polícia Federal investiga se o lobista utilizou recursos desviados das aposentadorias para financiar empresas que buscavam contratos na área da saúde. Funcionários de Antunes chegaram a elaborar documentos destinados ao ministério.

Em uma reunião realizada em janeiro de 2025, o Careca apresentou propostas que incluíam medicamentos à base de cannabis, testes de dengue e produtos de nutrição infantil. Contudo, o governo não concretizou as compras dessas empresas.

A Operação Sem Desconto, que desvendou fraudes no INSS e trouxe à tona as suspeitas contra Antunes, foi deflagrada em 23 de abril de 2025. O esquema de fraudes pode ter gerado um prejuízo de até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

Os registros de mensagens de WhatsApp mostram a interação do Careca e sua equipe com o Ministério da Saúde, levantando a suspeita de que recursos desviados estavam sendo usados para potencializar sua atuação no setor.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que relator do caso, indicou que o ministério poderia ser uma nova área de operação da organização criminosa. Ele ordenou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investigasse possíveis irregularidades.

Uma das empresas de Antunes, a World Cannabis, esteve envolvida em conversas sobre a revisão de uma resolução da Anvisa que regulamenta a fabricação e importação de produtos de cannabis. Mensagens entre os funcionários do Careca discutiam a compra de 1,2 milhão de frascos de canabidiol pelo ministério, sugerindo que o processo seria feito sem licitação.

No início de 2025, o foco mudou para a venda de testes de dengue. Mensagens indicam que Antunes teve uma reunião com um alto funcionário do ministério, onde apresentou documentos que propunham uma compra similar à anterior. Um Termo de Referência foi elaborado para direcionar a compra a uma fabricante chinesa.

Apesar das movimentações, o ministério já havia adquirido testes de uma empresa diferente, que venceram uma licitação anterior, frustrando novamente as intenções do Careca.

Além disso, ele estabeleceu uma parceria com uma empresa goiana para fornecer produtos de nutrição infantil ao ministério. Contudo, essa proposta também foi reprovada após análise dos órgãos competentes.

Em resposta, o ministério afirmou que todas as propostas apresentadas foram examinadas e não obtiveram aprovação. A DAUS, a empresa parceira, justificou que conhecia Antunes por sua longa trajetória no setor de saúde pública antes de firmar qualquer parceria.


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