Calote bilionário coloca Digimais, banco de Edir Macedo, no centro de nova disputa judicial
Uma ação judicial de aproximadamente R$ 500 milhões trouxe novos desafios para o Digimais, banco vinculado ao empresário e líder religioso Edir Macedo. O processo questiona a estrutura de um fundo de investimento baseado em títulos de empresas que, posteriormente, enfrentaram liquidações e investigações, resultando em significativa desvalorização dos ativos.
A situação foi divulgada pela jornalista Gabriella Furquim e detalhada pelo portal Metrópoles. O empresário Roberto Campos Marinho Filho, sócio do banco, alega ter sido prejudicado ao aceitar papéis de empresas como Fictor, Reag e Banco Master como base para a participação do Digimais no fundo chamado EXP 1.
De acordo com a ação, o Digimais detinha 80% das cotas do fundo, enquanto os 20% restantes pertenciam a Marinho, controlador da Yards Capital, que gerencia o investimento. O investimento total do banco teria chegado a R$ 462,2 milhões.
Desse total, cerca de R$ 316,6 milhões estariam vinculados a ativos do Banco Master e da Reag, enquanto R$ 145,6 milhões seriam oriundos de títulos da Fictor. Com as investigações sobre irregularidades envolvendo essas instituições e a liquidação de algumas, os papéis sofreram desvalorização acentuada, afetando o patrimônio do fundo.
Na semana passada, a Yards notificou judicialmente o Digimais, pedindo que o banco assumisse a totalidade da carteira de ativos para mitigar os impactos financeiros da desvalorização.
A Reag foi alvo de investigações em operações policiais de grande porte, como Carbono Oculto e Compliance Zero, que investigam manobras financeiras e movimentações irregulares ligadas ao Banco Master. Em dezembro, a gestora teve sua liquidação decretada pelo Banco Central do Brasil.
A Fictor ganhou notoriedade ao anunciar, em novembro de 2025, a aquisição do Banco Master por R$ 3 bilhões. No entanto, no dia seguinte, o Banco Master foi liquidado, e executivos foram presos durante as investigações. Em janeiro deste ano, a Fictor solicitou recuperação judicial, alegando problemas de liquidez após uma onda de resgates de investidores.
A liquidação do Banco Master impactou outras instituições financeiras de médio porte, incluindo o Digimais, que já enfrentava dificuldades desde a pandemia, com aumento da inadimplência e necessidade de frequentes reforços de capital para atender às exigências regulatórias.
Recursos para reequilibrar o patrimônio foram aportados por Edir Macedo, que também lidera a Igreja Universal do Reino de Deus e é proprietário da Record.
Durante 2025, o Digimais passou por um processo de reestruturação supervisionado pelo Banco Central, que incluiu tentativas de venda da instituição. O investidor Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar a compra do banco, mas as negociações não foram concluídas.
Outro interessado foi Tércio Borlenghi Jr., controlador da Ambipar, cuja proposta também foi apresentada à autoridade monetária, mas não avançou antes de a Ambipar solicitar recuperação judicial.
Houve ainda sondagens do Nubank, que considerou uma possível negociação, mas decidiu não prosseguir.
O colapso do Banco Master e os questionamentos sobre a condução do caso aumentaram a fiscalização sobre bancos de médio porte. O Banco Central intensificou o monitoramento e exigiu planos mais robustos de capitalização e governança dessas instituições.
Com a nova ação judicial, o Digimais enfrenta mais um fator de instabilidade em um cenário já caracterizado por incertezas no setor bancário médio, retração de investidores e maior rigor regulatório.
← Voltar para as notícias