Caixão dourado e milhares de flores: o funeral do narcotraficante 'El Mencho' no México
Funeral de 'El Mencho' no México
O narcotraficante mexicano Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", foi sepultado na segunda-feira, 2 de março, em um caixão dourado.
O líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) faleceu no final de fevereiro, após ser atingido em um confronto entre seus guarda-costas e forças especiais mexicanas que estavam em sua busca.
El Mencho, de 59 anos, era considerado o homem mais procurado do México, com os Estados Unidos oferecendo uma recompensa de US$ 15 milhões (aproximadamente R$ 79 milhões) por informações que levassem à sua captura.
A sua morte provocou uma onda de violência generalizada, com membros do cartel incendiando veículos e bloqueando estradas em 20 dos 31 estados mexicanos. Estima-se que cerca de 70 pessoas perderam a vida durante esses eventos.
O enterro foi realizado nas proximidades de Guadalajara, no Estado de Jalisco, reduto do cartel. A presença de membros da Guarda Nacional foi significativa, visando evitar novas explosões de violência durante a cerimônia.
Várias oferendas florais foram vistas na funerária, incluindo uma em forma de galo, simbolizando a paixão de El Mencho por lutas de galo.
De acordo com a agência AFP, foram necessários cinco caminhões para transportar todas as oferendas ao cemitério, muitas das quais foram enviadas anonimamente.
A procissão fúnebre foi acompanhada por uma banda que tocava músicas tradicionais mexicanas, incluindo canções em homenagem aos narcotraficantes. A canção "El Muchacho Alegre" tocou enquanto o caixão chegava a uma capela do cemitério, conforme relatado pela imprensa local.
Muitos dos presentes no funeral usavam máscaras para ocultar suas identidades. Após uma hora de cerimônia, acompanharam o caixão até o túmulo.
A cobertura da imprensa mexicana ressaltou que o túmulo era relativamente simples, se comparado aos mausoléus elaborados de outros narcotraficantes.
Sob a liderança de Oseguera, o CJNG se tornou uma poderosa organização criminosa internacional, expandindo sua influência de Jalisco para diversos estados mexicanos e se dedicando à produção e tráfico de drogas.
A Administração de Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA) declara que o cartel possui presença em mais de 40 países.
O assassinato de Oseguera pelas forças especiais foi interpretado como uma conquista do governo da presidente Claudia Sheinbaum, que enfrentava crescente pressão do presidente americano, Donald Trump, para intensificar a luta contra o narcotráfico.
Entretanto, há preocupações de que o vácuo deixado pelo líder do cartel possa levar a um aumento da violência a curto prazo, à medida que diferentes facções disputam o controle. A organização é estimada em ter dezenas de milhares de membros.
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