Caixa negocia compra de carteiras do BRB após crise do Banco Master
Caixa negocia aquisição de carteiras do BRB após crise do Banco Master
O diretor do Banco Central, Ailton de Aquino, revelou que as perdas do Banco de Brasília (BRB) com a operação do Banco Master podem ultrapassar os R$ 5 bilhões. Ele destacou que foram detectados problemas nos ativos transferidos pelo Master ao banco estatal.
A Caixa Econômica Federal está em conversações para adquirir carteiras de crédito do BRB. Embora a diretoria do banco nacional esteja aberta a discutir outras soluções, a ideia de federalização do BRB é considerada "prematura" por fontes próximas ao assunto.
Neste momento, a prioridade é a possibilidade de a Caixa comprar carteiras originadas pelo BRB, que enfrenta desafios de liquidez devido à necessidade de provisionar pelo menos R$ 5 bilhões em função das perdas previstas com os ativos do Banco Master.
Além disso, a diretoria da Caixa não descarta o avanço das discussões para outras alternativas. Uma delas envolve a participação do banco federal em um consórcio que facilitaria um empréstimo, permitindo que o governo do Distrito Federal injete recursos no BRB. Essa opção é vista como mais relevante no cenário atual do que a liquidez imediata.
As informações sobre essas negociações foram inicialmente divulgadas pelo jornal O Globo e confirmadas pelo Estadão/Broadcast.
De acordo com fontes que acompanham o tema, as conversas sobre o empréstimo estão em estágios preliminares, mas são vistas como a melhor solução para apoiar o banco do DF, uma vez que é uma abordagem menos drástica do ponto de vista do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O governo de Ibaneis está buscando aprovação da Câmara Legislativa para realizar um aporte no BRB e vender 12 imóveis públicos como parte da capitalização do banco.
O Estadão já havia noticiado que o Banco Central poderia implementar uma série de medidas preventivas no BRB caso o governo distrital não efetue os aportes até 31 de março, prazo limite para a divulgação do balanço do banco público.
Esse aporte é crucial devido à aquisição de R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do Banco Master. O BRB conseguiu trocar esses créditos por outros ativos, mas a qualidade questionável dos papéis pode resultar em perdas que variam entre R$ 5 bilhões e R$ 9 bilhões.
O patrimônio líquido do BRB estava em R$ 4,289 bilhões em setembro de 2025, conforme os dados mais recentes. Isso significa que, na prática, o banco do DF enfrenta um déficit ao ter que provisionar pelo menos R$ 5 bilhões para cobrir possíveis perdas.
O governo do DF está em negociações com diversos bancos e com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para viabilizar um empréstimo, sendo que o acionista controlador do BRB não possui recursos suficientes em caixa para o aporte.
Na última sexta-feira, 20, o governo distrital protocolou um projeto de lei na Câmara Legislativa (CLDF), propondo medidas para capitalizar o BRB, incluindo o uso de 12 imóveis públicos como garantia.
Fontes afirmam que a aprovação desse projeto é essencial para a continuidade das negociações, embora a parte mais complexa envolva a negociação do empréstimo com as instituições financeiras. Os termos finais dependerão da avaliação de riscos e da precificação, e até o momento, nenhuma proposta concreta foi apresentada ao FGC ou aos bancos que poderiam facilitar o aporte.
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