BRB aciona STF para receber recursos do Banco Master entregues ao liquidante do banco
BRB aciona STF em busca de recursos do Banco Master
O Banco de Brasília (BRB) está buscando recuperar parte de seu patrimônio após o fechamento do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro. O rombo estimado é de R$ 8 bilhões.
Por Ygor Wolf, g1 DF — Brasília
02/03/2026 21h50 Atualizado 02/03/2026
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, anunciou nesta segunda-feira (2) que recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reaver recursos das carteiras de crédito adquiridas do Banco Master.
Após a liquidação extrajudicial do Banco Master, os ativos do banco passaram a ser geridos por um liquidante, responsável por encerrar suas operações e quitar pendências.
"Isso nos dá liquidez, com certeza. Nós já tivemos contato com o liquidante e decidimos formalizar esse pedido ao STF", afirmou Souza.
Caso o STF determine a liberação dos recursos, isso poderá auxiliar o BRB a mitigar as perdas financeiras decorrentes das transações com o Banco Master. O déficit gerado é um dos maiores desafios enfrentados pela instituição.
As declarações foram feitas após uma reunião de mais de nove horas entre Souza e deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
O governo do Distrito Federal busca aprovação para transferir nove imóveis ao BRB, utilizando o valor estimado em R$ 6,6 bilhões para restaurar o patrimônio do banco, afetado pela situação do Banco Master.
Apesar da extensa reunião, surgiram críticas de parlamentares, tanto da oposição quanto da base governista, sobre a falta de clareza em relação aos valores e à destinação dos imóveis. A votação do projeto ainda é incerta.
O BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, sendo que pelo menos R$ 12,2 bilhões estão relacionados a operações com indícios de fraude, segundo a Polícia Federal.
Existem incertezas acerca do verdadeiro valor dos ativos adquiridos. Com a liquidação do Banco Master, muitos destes ativos foram retidos e não fazem parte do patrimônio do BRB.
O BRB também tentou, ao longo de meses, um acordo para a compra do Banco Master, com o apoio do governador Ibaneis Rocha (MDB), mas a operação foi bloqueada pelo Banco Central.
O Ministério Público Federal apontou "indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento" ligado ao Banco Master.
Nelson Antônio de Souza assumiu a presidência do BRB após a operação Compliance Zero, que atingiu o ex-presidente Paulo Henrique Costa. A atual gestão e uma auditoria independente continuam a investigar a situação interna da instituição.
Se um acordo for alcançado, o projeto de lei que permite o uso dos imóveis para reforço do capital do BRB pode ser votado nesta terça-feira (3).
Entretanto, deputados de oposição e até aliados do governador têm manifestado resistência à proposta, que é vista como uma tentativa de "salvar o calendário eleitoral" dos políticos envolvidos, em vez de realmente proteger o patrimônio do BRB.
O governo esperava aprovar o projeto em fevereiro, e qualquer atraso pode complicar ainda mais a situação financeira do BRB.
O governador não enfrentou dificuldades para aprovar projetos na Câmara Legislativa desde 2019, e a proposta sobre os imóveis é considerada um teste para avaliar o apoio que Ibaneis ainda possui entre seus aliados após o escândalo do Banco Master.
Enquanto aguarda a aprovação, o BRB convocou uma assembleia de acionistas para "incorporar" esses ativos ao seu patrimônio, marcada para o dia 18 de março.
A proposta inclui a emissão de até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar recursos, com o objetivo de aumentar o capital da instituição em até R$ 8,86 bilhões.
Atualmente, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões. Caso atinja o montante máximo, o capital do banco poderá quase quadruplicar.
No início de fevereiro, o BRB apresentou ao Banco Central um "plano preventivo" para restaurar seu patrimônio e evitar o descumprimento de normas de solidez do mercado financeiro brasileiro, documento que permanece sob sigilo.
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