Brazão, preso por Marielle, ainda recebe salário do TCE
Domingos Brazão, preso por assassinato de Marielle, recebe salário do TCE
O ex-deputado Domingos Brazão, detido pela morte da vereadora Marielle Franco, continua a receber seu salário como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Desde sua prisão, há um ano e meio, ele já somou mais de R$ 570 mil.
Brazão enfrenta acusações de ser o mandante do assassinato de Marielle e ainda responde a investigações sobre corrupção relacionadas a editais de obras no governo do Rio de Janeiro. Seu salário, que gira em torno de R$ 39 mil mensais, inclui também auxílios para saúde, transporte e educação.
Recentemente, ele foi interrogado via videoconferência no âmbito da Operação Quinto do Ouro, um desdobramento da Lava Jato, onde é acusado junto a outros quatro conselheiros de participar de um esquema de corrupção. O processo, que tramita sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça, teve um vídeo do interrogatório de Brazão revelado.
Desde o assassinato da vereadora em março de 2018 até sua prisão em março de 2024, ele recebeu aproximadamente R$ 2,4 milhões, embora tenha ficado afastado da função por um período significativo. Em abril de 2017, foi afastado por suspeitas de fraude e corrupção, mas retornou ao cargo em 2023 após decisões favoráveis em tribunais superiores.
Durante seu depoimento, Brazão trocou o uniforme de presidiário por uma camisa social e negou todas as acusações, atribuindo-as a um antigo desafeto, o ex-presidente do TCE Jonas Lopes, que se tornou delator.
Brazão se defendeu, afirmando que nunca recebeu qualquer quantia em seu gabinete e que teria assumido a presidência do TCE se não estivesse preso. Ele também destacou que não homologaria a aposentadoria de Lopes por conta das investigações que o envolviam.
A defesa de Lopes não se pronunciou sobre as declarações de Brazão. Após a prisão do ex-deputado, o TCE anunciou um procedimento correicional para investigar as denúncias, mas não atualizou sobre o andamento do caso.
Apesar de estar preso, o TCE afirmou que não existe decisão judicial que suspenda o pagamento de seu salário.
Domingos Brazão, juntamente com seu irmão Chiquinho Brazão, foi detido pela Polícia Federal como suposto mandante das mortes de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O delegado Rivaldo Barbosa, apontado como cúmplice no planejamento do crime, também foi preso.
As investigações, que começaram em fevereiro de 2023, foram conduzidas pela Procuradoria-Geral da República, pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pela Polícia Federal.
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